Buffalo Day discute eficiência alimentar na pecuária

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Buffalo Day destaca a integração entre pesquisa e produção na bubalinocultura brasileira.

O 1º Buffalo Day, realizado em Botucatu (SP), marcou um avanço significativo na conexão entre pesquisa e produção ao centrar as discussões na eficiência alimentar da bubalinocultura. O evento reuniu diversos atores do setor no Centro de Pesquisas Tropicais em Bubalinos (CPTB), da Unesp, evidenciando a transição da atividade para um modelo baseado em dados e métricas.

Além de ser um importante encontro técnico, o evento sinalizou uma mudança de paradigma na cadeia produtiva, que começa a adotar indicadores de eficiência como eixo central para a competitividade. A futura implementação da prova de eficiência alimentar em bubalinos foi destacada como um marco fundamental para a evolução do setor.

A eficiência alimentar é um parâmetro que avalia como os animais convertem alimentos em produção com menor consumo de insumos, o que pode reduzir desperdícios e impactar diretamente nos custos de produção — uma variável crítica em sistemas pecuários que enfrentam margens apertadas e crescentes exigências de sustentabilidade.

No contexto da bubalinocultura, a adoção de métricas de eficiência representa um avanço estratégico, especialmente considerando que essa cadeia ainda está em um processo de consolidação tecnológica, mas possui um potencial crescente em termos de valorização de leite, carne e derivados. A integração de critérios precisos poderá acelerar o ganho genético e aprimorar a previsibilidade dos sistemas produtivos.

Caroline Francisco, pesquisadora do CPTB, mencionou que a primeira prova experimental de eficiência alimentar está programada para maio. Essa prova visa a inclusão definitiva dessa característica nos programas de melhoramento genético, ampliando o conjunto de dados utilizados na seleção de animais e integrando essa nova métrica às características já avaliadas no rebanho.

Essa mudança representa uma nova lógica de seleção, que vai além do desempenho produtivo e incorpora também variáveis econômicas e de conversão alimentar. O objetivo é tornar a produção mais eficiente, com maior previsibilidade e alinhamento às demandas do mercado.

André Jorge, coordenador do CPTB, ressaltou que o Buffalo Day foi estruturado para promover uma aproximação entre ciência e práticas de campo, reduzindo o afastamento histórico entre a pesquisa acadêmica e a aplicação prática. A colaboração entre produtores, universidades e empresas é considerada essencial para acelerar a adoção de tecnologias em cadeias emergentes.

O evento foi promovido pela Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf) em parceria com a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), além de instituições como Apta e o Instituto de Zootecnia, consolidando o caráter institucional da iniciativa.

Simon Riess, presidente da ABCB, destacou o crescente interesse dos criadores por ferramentas que possam ajudar a reduzir custos e melhorar a eficiência dos sistemas. Esse movimento reflete uma mudança no perfil do produtor, que agora toma decisões mais embasadas em dados e indicadores econômicos.

Esse avanço está alinhado a uma tendência global na pecuária de precisão, onde a eficiência alimentar é um dos principais pilares de competitividade, ao lado de genética e manejo. Na bubalinocultura, esse processo pode ser acelerado pela recente reorganização tecnológica.

No Brasil, a atividade bubalina ainda representa uma parte menor dentro da pecuária, mas vem ganhando destaque por meio da diversificação de mercados e valorização de produtos como leite, derivados e cortes premium. Nesse contexto, a eficiência produtiva se torna um fator central para aumentar a competitividade e a escala.

Ao unir ciência, mercado e produção, o Buffalo Day enfatiza uma transição crucial: a passagem de uma pecuária fundamentada em práticas tradicionais para um modelo orientado por dados, onde as decisões de seleção e manejo são guiadas por informações técnicas estruturadas.

Mais do que apenas debater tecnologia, o evento evidenciou que o futuro da bubalinocultura dependerá da capacidade de converter conhecimento científico em aplicação prática no campo, uma etapa decisiva para consolidar uma cadeia mais eficiente, competitiva e integrada ao agronegócio moderno.

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