Paulo Skaf alerta sobre os desafios de uma economia hostil e bipolar

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Indústria brasileira enfrenta desafios de previsibilidade e coordenação, segundo líderes do setor.

A articulação entre as federações industriais do Brasil ganhou destaque em recente evento em Porto Alegre, onde Claudio Bier e Paulo Skaf discutiram a necessidade de mais previsibilidade para a indústria nacional.

Skaf, ao descrever o cenário econômico, não poupou críticas e definiu o Brasil como uma “economia hostil e bipolar”. Essa avaliação reflete a percepção de quem está imerso nas complexidades do setor produtivo e nas decisões políticas que o impactam.

Durante o INDX, encontro promovido pelo Sistema FIERGS, Skaf ressaltou a urgência de unir as federações diante das reações econômicas distintas em diferentes regiões do país. Ele apontou que, apesar das vantagens competitivas do Brasil, a falta de coordenação é um problema constante que impede um crescimento sustentável.

O empresário enfatizou que a mudança frequente nas regras do jogo prejudica investimentos de longo prazo, essenciais para a expansão da indústria. Em sua fala, Skaf criticou também a atual política monetária, destacando que os altos juros reais dificultam o crescimento econômico e afetam negativamente o emprego.

A visão dominante entre empresários é que o crédito no Brasil não só é caro, mas se tornou um empecilho à expansão, resultando na hesitação em projetos e na operação defensiva da indústria, que, embora competitiva, se vê limitada.

Skaf também alertou sobre questões externas, mencionando as tensões geopolíticas que podem impactar a logística brasileira. Ele destacou que cerca de 30% do consumo nacional de diesel depende de importações, e qualquer instabilidade no Oriente Médio pode elevar custos e trazer consequências diretas para a cadeia produtiva.

A escassez de produtos, enfatizou, pode ser mais preocupante do que os preços elevados. A falta de diesel, por exemplo, poderia paralisar o país, um alerta que ecoa entre os empresários.

A pauta trabalhista foi outra questão abordada, com Skaf comentando a proposta de escala 6×1. Embora evitasse uma rejeição direta, ele criticou o uso político do tema e defendeu que a discussão deve ser conduzida com seriedade, reconhecendo a diversidade da estrutura produtiva nacional.

Ao lado de Skaf, Claudio Bier reforçou a importância da união entre as federações, sinalizando um movimento para que a indústria retome seu espaço nas decisões políticas, um esforço que vai além de eventos e busca uma influência real e estratégica.

O evento evidenciou que, apesar das constatações já conhecidas sobre a indústria brasileira, há uma crescente impaciência para que as mudanças necessárias sejam efetivadas. A caracterização do Brasil como um país com grande potencial, mas baixa previsibilidade, continua a ser um sentimento comum entre os líderes do setor.

Em suma, a economia brasileira requer atenção a suas particularidades e um compromisso claro com a estabilidade e a previsibilidade, elementos fundamentais para que o setor industrial possa prosperar.

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