USP investiga em Piracicaba o principal indicador do preço comercial do café no Brasil

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Fatores que influenciam o preço do café no Brasil

O café é uma bebida essencial na rotina dos brasileiros, mas seu preço é uma preocupação constante tanto para consumidores quanto para produtores.

No Dia Mundial do Café, celebrado em 14 de abril, especialistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP) discutem como é determinado o preço comercial do café, que serve como referência no Brasil.

As análises de preços são realizadas diariamente em Piracicaba (SP), onde analistas, como Victor Hugo Abreu do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), contatam cooperativas de café em todo o país para coletar informações sobre os preços.

O indicador Esalq, que começou a ser medido em 1996, é atualizado diariamente, com três parciais ao longo do dia. Os analistas destacam que o mercado é dinâmico, e as variações de preços são influenciadas por vários fatores.

É importante entender que o preço que chega ao consumidor nos supermercados é diferente do valor apurado pela Esalq, que reflete o preço da saca vendida pelos produtores às cooperativas.

Esse valor é crucial para o comércio de café no Brasil e afeta diretamente as exportações e os preços nas prateleiras dos supermercados.

‘Oscilações acontecem muitas vezes no próprio decorrer do dia’

Os pesquisadores de Piracicaba realizam a cotação ligando para as cooperativas que adquirem o café dos produtores e que o repassam para as empresas de moagem e torra.

“O mercado é muito dinâmico. Então, as oscilações acontecem muitas vezes no próprio decorrer do dia. O cenário cambial impacta bastante a condição de preço”, explicou um pesquisador do Cepea.

O trabalho de coleta de preços começa cedo, com ligações para as cooperativas perguntando sobre os preços dos diferentes tipos de café. Esse processo é simples e direto, mas é apenas o começo da análise que se estende ao longo do dia.

A pesquisa de preços ocorre de manhã e à tarde para se alinhar com os horários das bolsas de valores internacionais, como a de Londres e Nova Iorque, que influenciam diretamente as negociações.

“As negociações acontecem basicamente utilizando a referência da bolsa de Nova Iorque, que é fundamental para os mercados internos”, destacou o pesquisador.

Maior alta em 2025

Desde o início do acompanhamento dos preços do café, a maior alta foi registrada no início de 2025, quando a saca de 60 kg atingiu o recorde de R$ 2.769. O primeiro trimestre daquele ano foi marcado por uma média de R$ 2,5 mil.

No entanto, neste ano, os preços já apresentaram uma redução, com a média entre janeiro e março em R$ 1,7 mil. O menor valor registrado foi em 2002, quando a saca chegou a R$ 500.

Para os amantes do café, as perspectivas para o segundo semestre deste ano são otimistas. Com o início da colheita em julho, há a expectativa de que os preços possam cair.

“O Brasil, como principal produtor de café, deve colher uma boa safra este ano, o que pode aumentar a oferta e pressionar os preços para baixo”, concluiu o especialista.

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