Promotores de São Paulo consideram que acordo de delação com ‘Beto Louco’ e ‘Primo’ poderia estimular o crime organizado

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Operação Carbono Oculto avança com resistência a delações premiadas de foragidos.

Promotores do Ministério Público de São Paulo, envolvidos na Operação Carbono Oculto, manifestaram forte oposição à possibilidade de um acordo de delação premiada com os foragidos Mohamad Hussein Moraes, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, chamado de “Beto Louco”.

Ambos se apresentam como empresários e estão foragidos desde o ano passado. Através de aliados, afirmam possuir informações valiosas sobre corrupção envolvendo políticos, agentes públicos e juízes, além de um esquema que, segundo eles, perdura há mais de quarenta anos na Secretaria de Estado e da Fazenda de Planejamento de São Paulo.

Os promotores acreditam que aceitar os termos propostos pela defesa seria um incentivo ao crime. A proposta de delação está nas mãos do procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, que foi reconduzido ao cargo pelo governador Tarcísio de Freitas para um novo mandato de dois anos.

Devido à gravidade das revelações que podem envolver indivíduos com foro privilegiado, cabe ao procurador decidir se aceita ou não a proposta de delação. Paulo Sérgio confia nos promotores e planeja se reunir com eles antes de tomar uma decisão final. Um dos membros da força-tarefa já elaborou uma nota técnica sugerindo que o acordo não seja firmado.

Os promotores da Carbono Oculto, que fazem parte do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), têm vasta experiência no combate ao PCC e a outras organizações ligadas a tráfico, corrupção e lavagem de dinheiro.

Inicialmente, foram submetidos a “Beto Louco” e “Primo” um questionário extenso. Em troca de sua colaboração, eles buscam a suspensão do decreto de prisão que pesa sobre eles.

A desconfiança dos promotores em relação às declarações dos foragidos aumentou quando estes ofereceram devolver R$ 1 bilhão ao Estado, mas alegaram que todo o patrimônio acumulado antes de 2020 foi obtido de maneira “lícita”.

Os promotores criticam essa proposta, pois afirmam que o esquema criminoso causou uma sonegação de R$ 4 bilhões. Para eles, um acordo dessa natureza legitimaria uma fortuna adquirida por meio de atividades ilícitas. Além disso, a multa de R$ 1 bilhão poderia ser contestada no futuro, como ocorreu em casos relacionados à Operação Lava Jato.

A Carbono Oculto, deflagrada no ano passado, atingiu o “andar de cima” do PCC e suas conexões na Faria Lima. Os envolvidos negam qualquer ligação com a facção criminosa, alegando que adquiriram postos de gasolina em dificuldades financeiras e os recuperaram para revenda, admitindo apenas a sonegação fiscal por meio das empresas Aster e Copape.

Os promotores consideram que a proposta de delação é uma tentativa de proteger o patrimônio construído com práticas criminosas e acreditam que um acordo desse tipo desmoralizaria o Ministério Público.

Investigações anteriores, como as Operações Ícaro e Fisco Paralelo, revelaram esquemas de propinas bilionárias pagas a auditores por grandes empresas em troca de benefícios fiscais. Até o momento, quarenta fiscais estão sob investigação da Promotoria e da Corregedoria da Fazenda.

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