Novas tecnologias enfrentam desafios impostos por legislação antiquada sobre fertilizantes

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Legislação ultrapassada impede avanços na produção de fertilizantes no Brasil

Uma legislação que não se atualiza conforme os avanços tecnológicos pode trazer sérias consequências para o setor agrícola e a economia do país.

O Brasil, apesar de ser um dos maiores produtores de alimentos do mundo, enfrenta uma grave dependência da importação de fertilizantes. Aproximadamente 85% dos adubos utilizados nas lavouras brasileiras são provenientes do exterior. Essa situação se torna ainda mais preocupante em meio a conflitos geopolíticos, como a guerra entre os Estados Unidos e o Irã, que afetam a disponibilidade desses insumos.

A legislação sobre a regulamentação de fertilizantes data de 1980 e, segundo especialistas, não acompanhou a evolução das tecnologias de produção. Leonardo Munhoz, advogado especializado em direito ambiental, destaca que a lei foi formulada em um contexto em que a composição dos fertilizantes era predominantemente mineral. Atualmente, as novas tecnologias são mais complexas, envolvendo combinações de nutrientes minerais com microrganismos e substâncias bioativas, criando um “limbo regulatório”.

Munhoz ressalta que o Brasil possui iniciativas como a Lei de Bioinsumos, sancionada em dezembro de 2024, e o Plano Nacional de Fertilizantes, aprovado em 2022. Contudo, essas medidas ainda são, em grande parte, ineficazes. A falta de implementação prática reflete a urgência da revisão das políticas diante de novos conflitos internacionais que impactam o comércio de fertilizantes.

Embora a regulamentação dos bioinsumos seja um avanço significativo, Munhoz aponta que a separação entre bioinsumos e fertilizantes cria limitações. Ele observa que, na Europa, a classificação dos fertilizantes considera tanto a composição quanto a finalidade, permitindo maior flexibilidade para produtos híbridos. No Brasil, essa abordagem é restrita à composição, dificultando a adaptação do sistema regulatório.

Além das questões legislativas, outros obstáculos também são relevantes. Munhoz menciona a necessidade de um ambiente favorável para o licenciamento ambiental, abertura de novas minas e produção interna de fertilizantes. A segurança jurídica das empresas é frequentemente comprometida por incertezas relacionadas a patentes e registros de novas tecnologias.

Em um cenário em que a importação de fertilizantes ainda é vista como mais vantajosa do que a produção interna, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) declarou ser “impossível” que o Brasil se torne totalmente independente em relação às importações. Munhoz concorda que, embora os bioinsumos e os híbridos representem alternativas promissoras, eles não têm a capacidade de substituir totalmente os fertilizantes minerais, mantendo a dependência externa como um desafio persistente.

Portanto, o Brasil enfrenta um cenário multifatorial, onde diversos gargalos ainda impedem a redução da dependência em fertilizantes importados.

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