Lula convoca centrais sindicais para mobilização contra a escala 6×1

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Presidente Lula recebe reivindicações de centrais sindicais em Brasília e destaca necessidade de mobilização para redução de jornada de trabalho.

No dia seguinte ao envio ao Congresso Nacional do projeto de lei que propõe a redução da jornada de trabalho para no máximo 40 horas semanais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu 68 reivindicações de representantes das centrais sindicais. A reunião ocorreu no Palácio do Planalto, após a “marcha da classe trabalhadora” que aconteceu na Esplanada dos Ministérios.

Durante o encontro, Lula enfatizou a importância da mobilização e pressão dos trabalhadores para a aprovação da proposta. Ele ressaltou que os dirigentes sindicais não podem abdicar da responsabilidade de lutar pelos direitos dos trabalhadores que representam.

O presidente reconheceu que o cenário atual é desafiador e que a aprovação de projetos no Congresso exige apoio ativo das centrais sindicais. “Não tem tempo fácil. É sempre muito sacrifício. E cada vez que a gente manda uma coisa para aprovar no Congresso, é preciso saber que vocês têm que ajudar”, afirmou Lula.

Burnout

Lula homenageou o ativista e ex-balconista Rick Azevedo, criador do movimento Vida Além do Trabalho, que inspirou o projeto de redução da jornada. O presidente sugeriu que, caso a lei seja aprovada, ela possa levar o nome do ativista.

Azevedo compartilhou sua experiência pessoal com burnout e depressão devido ao excesso de trabalho, lembrando que sua denúncia sobre a jornada de seis dias consecutivos viralizou nas redes sociais, gerando grande repercussão.

Críticas a retrocessos

O presidente aproveitou a oportunidade para criticar as reformas Trabalhista e da Previdência, que considera retrocessos para a classe trabalhadora. Ele destacou que a luta dos trabalhadores se intensifica, especialmente diante de grupos que defendem reformas semelhantes às implementadas na Argentina, que incluem o aumento da jornada de trabalho.

Momento de transformação

Os representantes das centrais sindicais celebraram a iniciativa do governo em enviar o projeto que elimina a escala 6×1. Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), apontou que essa medida pode gerar até 4 milhões de empregos e contribuir para um mercado de trabalho mais robusto.

O presidente da CTB também mencionou a capacidade do Brasil de desenvolver uma nova indústria focada na sustentabilidade socioambiental, além de alertar sobre os riscos da pejotização, que compromete os direitos trabalhistas.

Miguel Torres, presidente da Força Sindical, destacou a importância da mobilização, que reuniu mais de 20 mil trabalhadores, e afirmou que o projeto já está maduro para ser implementado.

“É mais tempo para a família, para a saúde, para o lazer, para estudar e para a pessoa”.

Transformações

Clemente Ganz, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, explicou que as 68 reivindicações apresentadas ao presidente visam atender às necessidades do mundo do trabalho nos próximos cinco anos. Ele alertou que as transformações tecnológicas impactarão principalmente mulheres e jovens, conforme estudos recentes.

Ganz também mencionou a importância de abordar a mudança climática e a emergência ambiental no contexto do trabalho. Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores, enfatizou a necessidade de proteger trabalhadores por aplicativo e entregadores, destacando a importância de cuidar da saúde e do futuro da juventude no país.

Sônia Zerino, presidenta da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), ressaltou que a pauta da classe trabalhadora deve incluir o combate ao feminicídio, enfatizando a necessidade de conscientização através da educação.

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