Lula afirma que buscará novos clientes caso Trump não demonstre interesse em suas ofertas
Brasil busca novos mercados e critica cenário geopolítico global, afirma Lula.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o Brasil está determinado a diversificar seus parceiros comerciais, caso os Estados Unidos optem por não manter relações comerciais com o país. Em entrevista ao jornal alemão Der Spiegel, Lula destacou que, durante seu atual mandato, foram abertos 518 novos mercados internacionais para produtos brasileiros.
“Se Trump não quiser comprar nada de mim, simplesmente encontrarei meus clientes em outro lugar. Em três anos e meio, abrimos 518 novos mercados para produtos brasileiros. Não ficarei de braços cruzados reclamando”, afirmou o presidente, enfatizando a proatividade do Brasil na busca por novas oportunidades comerciais.
Lula também criticou a Organização das Nações Unidas (ONU), ressaltando a urgência de uma mudança no cenário geopolítico. Ele alertou para a necessidade de inclusão da África e do Oriente Médio nas discussões globais, afirmando que o Conselho de Segurança se tornou um “navio à deriva sem capitão”.
O presidente revelou que conversou com líderes globais, como Xi Jinping, Vladimir Putin e Emmanuel Macron, pedindo uma reunião do Conselho de Segurança. “É como se estivéssemos à deriva em alto-mar, num navio sem capitão”, declarou, expressando sua frustração com a falta de respostas sobre questões críticas.
Lula também sugeriu que o secretário-geral da ONU, António Guterres, deveria convocar uma Assembleia Geral extraordinária para abordar as ações de Putin na Ucrânia e de Trump no Oriente Médio. Ele destacou que as consequências de conflitos como a guerra no Irã recaem sobre os mais pobres, especialmente na África e na América Latina, que enfrentam aumento nos preços de alimentos.
“O que é inaceitável é que Trump inicie uma guerra com o Irã, e quem paga o preço dessa guerra são os pobres da África e da América Latina, que têm que gastar mais dinheiro com feijão, carne e verduras”, afirmou Lula, pedindo uma convocação urgente da Assembleia Geral.
O presidente também criticou a invasão da Ucrânia por Putin e a intervenção militar de Trump na Venezuela, reafirmando que a América Latina deve ser uma “zona de paz”.
Fertilizantes
Lula abordou a questão da dependência do Brasil em relação a fertilizantes, afirmando que o país está se esforçando para reconstruir sua indústria de fertilizantes. Ele mencionou que o fechamento de fábricas durante o governo anterior prejudicou a autonomia do Brasil nesse setor.
“Desde o início da guerra na Ucrânia, temos enfrentado problemas com o fornecimento de fertilizantes. Deveríamos ter impulsionado a produção nacional de fertilizantes há 20 ou 30 anos. Em vez disso, o governo do meu antecessor fechou algumas de nossas fábricas de fertilizantes”, explicou Lula, enfatizando a importância de não depender de outros países.
Sobre o conflito no Oriente Médio, Lula informou que o governo brasileiro tomou medidas para evitar o aumento dos preços de combustíveis, como gasolina e diesel, em resposta à guerra. “Esta guerra contra o Irã levou a um aumento de 35% nos preços da gasolina nos EUA. Aqui no Brasil, tomamos medidas para evitar que os preços da gasolina, do diesel e do querosene subam”, concluiu.
