Maurício Camisotti é o primeiro delator do caso do INSS
Empresário confessou participação em esquema de fraudes no INSS.
O empresário Maurício Camisotti, proprietário do grupo Total Health, admitiu sua participação em fraudes relacionadas a descontos indevidos em benefícios do INSS. Ele firmou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal, sendo este o primeiro acordo do caso.
Camisotti é considerado um dos principais operadores da chamada “operação Sem Desconto” e é um dos beneficiários diretos das fraudes. Ele enfrenta acusações de corrupção e fraude na arrecadação de dívidas, facilitando o esquema ilícito.
O empresário atua no setor de seguros e planos de saúde, controlando três entidades que, em um período de quatro anos, geraram mais de R$ 1 bilhão em fraudes. Essas entidades incluem a Ambec, a Unsbras e o Cebap, todas implicadas no esquema fraudulento.
Os diretores dessas entidades eram, em sua maioria, parentes ou funcionários de executivos que exerciam funções nas empresas de Camisotti. As entidades que realizavam os descontos indevidos eram, na verdade, de fachada e faziam parte de uma estrutura destinada à lavagem de dinheiro.
Quebras de sigilo bancário revelaram que quatro empresas do grupo de Camisotti receberam R$ 43 milhões provenientes das associações fraudulentas. Entre essas empresas estão a Prevident e a Rede Mais, que atuam no setor de saúde, além da Benfix, uma corretora de seguros vinculada ao empresário.
Atualmente, Camisotti encontra-se preso desde setembro. Durante uma operação da Polícia Federal em sua residência, foram apreendidos itens de valor, como esculturas, pinturas, armas e veículos de luxo. Ele foi detido na mesma fase da operação que resultou na prisão de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
O material relativo à delação de Camisotti já foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça. Com a delação, há expectativas de que ele possa ser liberado da prisão e consiga o benefício da prisão domiciliar.
A atuação de Camisotti foi mencionada na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS. O relatório final, elaborado pelo deputado federal Alfredo Gaspar, solicitava o indiciamento do empresário, que foi descrito como um dos líderes do rombo bilionário na Ambec. Contudo, o texto foi rejeitado pelo colegiado por 19 votos a 12.
