Lula afirma que os pobres não devem arcar com as consequências das guerras

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Presidente Lula critica guerras e defende multilateralismo em discurso na Espanha.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso contundente contra os conflitos armados e em favor do fortalecimento do multilateralismo, durante a quarta reunião de alto nível do Fórum de Defesa da Democracia, realizada em Barcelona, na Espanha.

Atualmente em sua viagem pela Europa, Lula ressaltou que as consequências das guerras impactam principalmente os mais vulneráveis. Ele enfatizou que a pobreza é exacerbada por decisões políticas que levam a conflitos, destacando que os custos das guerras recaem sobre os cidadãos comuns.

Em sua fala, Lula questionou a lógica por trás das guerras, mencionando como as ações de líderes globais afetam diretamente a vida das pessoas em países distantes. Ele apontou que o aumento dos preços de alimentos e combustíveis é uma realidade que atinge os mais pobres, que são os que mais sofrem com a irresponsabilidade das potências em guerra.

O presidente destacou a urgência de enfrentar problemas globais como a fome e a falta de educação, ressaltando que o mundo não precisa de mais guerras, mas sim de soluções para as crises humanitárias que afligem milhões. Ele citou que mais de 760 milhões de pessoas passam fome e que a pandemia deixou um legado de milhões sem acesso a vacinas.

Lula também chamou a atenção para o aumento dos conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial e pediu uma ação mais efetiva da Organização das Nações Unidas (ONU) para mediar e resolver essas questões. Ele sugeriu que o secretário-geral da ONU convoque reuniões extraordinárias, mesmo sem a aprovação prévia dos membros permanentes do Conselho de Segurança.

O presidente brasileiro criticou a invasão da Ucrânia pela Rússia, a destruição da Faixa de Gaza e os conflitos no Oriente Médio, afirmando que nenhum líder deveria impor regras a outros países sem considerar a soberania nacional. Ele pediu uma reflexão sobre o papel dos membros do Conselho de Segurança da ONU e a necessidade de um comportamento mais responsável por parte deles.

Lula lamentou o silêncio de muitos países diante dessas crises e enfatizou que a democracia nas Nações Unidas depende do envolvimento ativo de todos os estados. Ele conclamou os líderes a fortalecerem o multilateralismo como um caminho para a paz e a justiça global.

Regulação das plataformas digitais

No mesmo discurso, Lula abordou o impacto das plataformas digitais na política, pedindo que a ONU lidere discussões sobre a criação de regras que garantam a integridade das eleições e a soberania dos países. Ele destacou que a propagação de informações falsas representa uma ameaça à democracia.

O presidente afirmou que a desinformação prevalece sobre a verdade, e que é necessário regular as plataformas para evitar interferências externas nas eleições de diferentes nações. Ele defendeu que a soberania eleitoral deve ser respeitada e que o debate sobre essas questões deve ocorrer no âmbito da ONU.

O Fórum Democracia Sempre, que ocorre em Barcelona, é uma iniciativa lançada em 2024 e envolve os governos de Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai. O evento, organizado pelo presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, conta com a presença de líderes de diversas nações, promovendo um diálogo sobre democracia e governança global.

Agenda na Europa

Após o evento em Barcelona, Lula viajará para a Alemanha, onde participará da Hannover Messe, a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo, que nesta edição homenageia o Brasil. O presidente também se reunirá com o chanceler Friedrich Merz durante sua estadia na Alemanha.

A viagem de Lula se encerrará em Portugal, onde ele se encontrará com o primeiro-ministro Luís Montenegro e com o presidente António José Seguro, finalizando uma agenda focada em fortalecer laços internacionais e discutir questões de relevância global.

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