Heloísa Helena sugere criação de plataforma para monitoramento de estoque de medicamentos

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Projeto de lei visa garantir transparência na disponibilidade de medicamentos no Brasil.

A deputada Heloísa Helena (Rede-RJ) apresentou o projeto de lei 1.840/2026, que tem como objetivo a obrigatoriedade da divulgação de informações sobre a disponibilidade e a previsão de descontinuidade de medicamentos no Brasil. A proposta prevê a criação de uma plataforma nacional para monitoramento em tempo real.

De acordo com o texto, indústrias farmacêuticas, distribuidores, farmácias, drogarias e hospitais deverão monitorar e divulgar dados sobre estoque, disponibilidade e riscos de desabastecimento de medicamentos. Essa obrigatoriedade se aplica tanto a instituições públicas quanto privadas, com foco especial em medicamentos utilizados no tratamento de doenças crônicas, psiquiátricas, oncológicas e raras.

O projeto estabelece a criação da Plataforma Nacional de Monitoramento de Medicamentos (PNMM), sob a responsabilidade do Ministério da Saúde. A plataforma reunirá dados atualizados sobre a disponibilidade de medicamentos em todo o país, organizados por estado e tipo de estabelecimento.

Além disso, a plataforma deverá informar com pelo menos 90 dias de antecedência sobre previsões de desabastecimento ou descontinuidade de medicamentos, apresentando justificativas técnicas e estimativas para a normalização do fornecimento.

Outro aspecto importante da proposta é a inclusão de alternativas terapêuticas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), facilitando a busca por substituições seguras em caso de falta de determinados medicamentos.

Laboratórios e distribuidores serão obrigados a comunicar ao Ministério da Saúde qualquer risco de interrupção no fornecimento de medicamentos essenciais em até 10 dias após a identificação do problema. Farmácias e hospitais também deverão atualizar periodicamente seus estoques na plataforma, estabelecendo um sistema contínuo de monitoramento.

Segundo a deputada, o objetivo do projeto é evitar que pacientes tenham seus tratamentos interrompidos de forma abrupta devido à falta de medicamentos tanto na rede pública quanto na privada.

“É criminoso o que vem ocorrendo. Há mais de dois meses está faltando Haldol no Rio de Janeiro e pacientes em sofrimento mental e suas famílias estão desesperadas. Por isso, propusemos o projeto, que estabelece ainda a criação de uma plataforma nacional de monitoramento de medicamentos, no âmbito do Ministério da Saúde, com informações atualizadas sobre todos os fármacos. O acesso às informações é fundamental para que o cidadão possa planejar adequadamente seu tratamento, evitar interrupções e exercer plenamente seu direito constitucional à saúde.”

A proposta garante que a plataforma será acessível a pacientes, familiares, profissionais de saúde e órgãos de controle. O sistema deverá utilizar uma linguagem clara, ser de fácil acesso e contar com mecanismos de alerta automático para notificar usuários cadastrados sobre riscos de desabastecimento de medicamentos essenciais.

Em caso de descumprimento, o texto prevê sanções administrativas, incluindo advertências, multas proporcionais ao faturamento, suspensão de contratos com o poder público e impedimento de participação em licitações do SUS.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) será encarregada de regulamentar aspectos complementares da medida, especialmente no que diz respeito à comunicação de descontinuidade de medicamentos.

Atualmente, o projeto aguarda distribuição para comissões temáticas na Câmara dos Deputados.

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