Lula promove agricultura e energias renováveis em feira na Alemanha

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Brasil busca fortalecer laços com a Europa em Hannover

O presidente Lula defendeu, em Hannover, na Alemanha, uma aproximação mais robusta entre Brasil e Europa, focando na transição energética e na inovação tecnológica. Durante a abertura da Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo, ele destacou que o Brasil pode ser um aliado crucial para a competitividade europeia em um novo cenário energético.

Segundo Lula, o Brasil tem o potencial de auxiliar a União Europeia na redução dos custos de energia e na descarbonização da indústria. Ele enfatizou a importância de que as regras europeias considerem a matriz energética limpa utilizada nas práticas produtivas brasileiras.

No discurso, o presidente também abordou as “narrativas falsas” sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira e criticou as restrições impostas aos biocombustíveis. Ele argumentou que criar barreiras adicionais ao acesso a esses combustíveis é contraproducente tanto para o meio ambiente quanto para o setor energético.

A declaração faz parte da estratégia do governo brasileiro de posicionar o país como uma potência industrial verde, buscando aumentar a visibilidade internacional e reforçar sua imagem como um destino atrativo para investimentos e tecnologia. O objetivo é consolidar parcerias em áreas como defesa, mudanças climáticas, infraestrutura e bioeconomia.

Lula também vinculou sua proposta externa à agenda econômica interna, mencionando um “robusto programa de neoindustrialização” que prioriza a economia verde e a indústria 4.0. Ele expressou o desejo de atrair parcerias com transferência de tecnologia, especialmente na exploração de minerais estratégicos para a transição energética.

O presidente destacou que o Brasil possui uma das maiores reservas mundiais de nióbio, além de significativas reservas de grafita, terras raras e níquel, e que esses recursos devem ser utilizados para promover o desenvolvimento econômico e social do país.

Em relação à matriz energética, Lula ressaltou que 90% da eletricidade brasileira é gerada a partir de fontes renováveis e que o país possui um grande potencial para produzir hidrogênio verde a custos competitivos. Ele também mencionou a mistura de etanol na gasolina e biodiesel no diesel, destacando a produção sustentável desses biocombustíveis.

O presidente fez uma conexão entre inovação tecnológica e proteção do trabalho, alertando sobre os riscos da inteligência artificial quando utilizada sem éticas. Ele enfatizou a importância de considerar os trabalhadores na discussão sobre novas tecnologias, destacando que a produtividade deve beneficiar a todos.

Lula defendeu o fim da jornada de trabalho 6×1, propondo que os trabalhadores tenham dois dias de descanso semanal, permitindo que usufruam dos ganhos de produtividade.

Em sua fala, Lula também criticou o cenário internacional, descrevendo a guerra entre Estados Unidos e Israel e o Irã como “maluquice”. Ele chamou a atenção para os gastos exorbitantes em conflitos, enquanto questões básicas, como a fome, permanecem sem solução.

O presidente questionou a eficácia do Conselho de Segurança da ONU e pediu responsabilidade aos líderes mundiais para que se reúnam e busquem soluções para as guerras.

Lula ressaltou que os conflitos têm impacto direto na economia, afetando o preço da energia e a produção agrícola, e que os mais vulneráveis são os que mais sofrem com a inflação dos alimentos.

Além disso, ele propôs uma “refundação” da Organização Mundial do Comércio, criticando o surgimento do protecionismo como uma resposta inadequada para problemas econômicos complexos.

Durante sua visita à Alemanha, Lula reforçou o apoio do governo ao acordo entre Mercosul e União Europeia, que promete criar um mercado de quase 720 milhões de habitantes. Ele acredita que mais comércio e investimentos resultarão em novas oportunidades de emprego para ambos os lados do Atlântico.

A agenda de Lula inclui um fórum empresarial, consultas intergovernamentais e encontros focados em inovação, sustentabilidade e geopolítica, reafirmando a Alemanha como um parceiro central para o Brasil na Europa.

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