Brasil recebe segunda certificação para carnes premium de rebanhos leiteiros
Raça Canchim recebe selo Canchim on Dairy para cruzamento com vacas leiteiras.
A raça Canchim foi recentemente agraciada com o selo Canchim on Dairy, que certifica a aptidão de touros para cruzamento com vacas leiteiras mestiças, especialmente da raça Girolando. Este é um passo significativo, pois a Canchim torna-se a segunda raça no Brasil a receber um selo desse tipo, seguindo a Angus.
Além de priorizar a produção de carne de alta qualidade, a certificação também oferece uma nova fonte de renda para os produtores de leite, que agora podem comercializar os animais destinados ao corte. Essa diversificação é crucial em um cenário onde a sustentabilidade e a rentabilidade na pecuária são cada vez mais necessárias.
Especialistas, como a pesquisadora da Embrapa Pecuária, destacam a importância do selo para os produtores, que buscam alternativas de faturamento. A Canchim é classificada como uma raça terminal, sendo que seu cruzamento com vacas mestiças resulta em bezerros com melhor qualidade de carcaça e maior peso no desmame e ao sobreano.
O chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul enfatiza ainda a relevância desse selo na identificação de reprodutores adequados, que podem ser direcionados para centrais de inseminação e destacados em leilões, fortalecendo a relação entre a pecuária leiteira e de corte.
A presidente da Associação Brasileira de Canchim (ABCCAN) complementa que a certificação traz segurança e reconhecimento ao mercado, padronizando práticas que já eram comuns entre os pecuaristas. A iniciativa fortalece ainda mais a integração das duas vertentes da pecuária.
Em regiões mais quentes do Brasil, as características da raça Canchim, como pelagem clara e adaptação ao calor, são destacadas. Além disso, bezerros dessa raça apresentam vantagens em relação ao Nelore, superando-o em peso ao desmame entre 10% e 15%.
Como conseguir o selo?
Para que um touro receba o selo Canchim on Dairy, ele deve atender a critérios técnicos rigorosos, baseados em avaliações genéticas que asseguram seu desempenho e segurança no cruzamento.
As diretrizes incluem avaliações do Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo), que define critérios restritivos que permitem identificar se um touro está apto para receber o selo.
Os critérios de qualificação são: peso ao nascer, ganho de peso, conformação ao sobreano, tamanho ao sobreano e área de olho de lombo. Esses parâmetros asseguram que os animais atendam os padrões de qualidade desejados.
Simulações realizadas na base de dados da Promebo já indicam que diversos machos estão qualificados para receber a certificação, o que representa um avanço significativo na pecuária nacional.
Benefícios da nova certificação
Uma vez que um touro atende aos critérios e recebe o selo, ele é considerado apto para reprodução, servindo como um guia tanto para os produtores quanto para as centrais de coleta de sêmen. Essa certificação não só incrementa os preços dos bezerros originários, mas também reduz os riscos associados ao parto em vacas leiteiras, criam um produto diferenciado para o mercado e promovem a sustentabilidade do sistema.
A nova certificação é vista como uma revolução na pecuária brasileira, unindo ciência e prática no campo. A Canchim, além de ter um bom mercado para sêmen, é amplamente utilizada em operações rurais. A certificação também beneficia pequenos produtores, permitindo a formação de consórcios.
A pesquisadora menciona que, devido às condições tropicais, o uso da raça Angus é inviável diretamente no campo, tornando a Canchim uma alternativa ideal para cruzamentos com raças zebuínas, como Tabapuã ou Guzerá, visando a produção de bezerros de maior qualidade.
