Acordo UE-Mercosul será assinado neste sábado sem a presença de Lula; confira os próximos passos
Acordo Mercosul-UE promete redução de preços e integração comercial
Após mais de duas décadas de negociações, a União Europeia e o Mercosul estão prestes a assinar um acordo comercial que estabelece a maior zona de livre comércio do mundo.
O evento ocorrerá no Paraguai, onde os dois blocos buscarão integrar mercados, reduzir tarifas e aumentar o fluxo de bens e investimentos entre a América do Sul e a Europa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participará da cerimônia, enquanto líderes de outros países sul-americanos, como Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai, estarão presentes, junto com representantes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu.
“Amanhã, em Assunção, UE e Mercosul farão história ao criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22 trilhões. Essa é uma parceria baseada no multilateralismo”, afirmou Lula.
A assinatura do acordo, no entanto, é apenas o início do processo. Para que o tratado entre em vigor, será necessária a ratificação pelos parlamentos dos países envolvidos, um caminho que pode ser longo e politicamente delicado, especialmente na União Europeia.
As próximas etapas incluem a formalização dos votos dos Estados-membros da UE, que já ocorreu, permitindo que a presidente da Comissão Europeia assine o acordo em nome da União. Contudo, isso não significa que o acordo seja imediatamente válido, pois ainda precisará passar por processos de ratificação interna.
O acordo, negociado por mais de 25 anos, prevê a redução gradual de tarifas e a criação de regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas. A expectativa é que essa parceria crie uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, ligando mais de 700 milhões de pessoas.
Entretanto, a negociação gerou divisões na União Europeia. Enquanto países como Alemanha e Espanha veem oportunidades de aumentar exportações e reduzir a dependência da China, a França e outros países expressaram preocupações sobre o impacto no setor agrícola, temendo a concorrência de produtos sul-americanos mais baratos.
O acordo inclui salvaguardas para a agricultura europeia e exigências ambientais mais rigorosas, buscando equilibrar os interesses de ambas as partes. Para o Mercosul, o Brasil desempenha um papel crucial, precisando demonstrar avanços em sustentabilidade para facilitar a ratificação e aumentar o acesso ao mercado europeu.
O tratado promete transformar as relações comerciais entre os dois blocos, mas sua implementação total dependerá da conclusão dos processos de aprovação interna e das negociações sobre a aplicação provisória de algumas partes do acordo.
