Lula critica restrições da União Europeia ao biocombustível durante visita à Alemanha
Brasil busca fortalecer parcerias e destacar biocombustíveis em feira na Alemanha
O presidente Lula utilizou a plataforma internacional da Hannover Messe 2026, na Alemanha, para enviar uma mensagem clara à Europa: o Brasil não aceitará mais ser tratado como um país periférico e se opõe a regras que dificultam a entrada de biocombustíveis brasileiros no mercado europeu.
Durante a abertura do Pavilhão Brasil, ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, Lula expressou que o país está cansado de ser visto como uma nação pobre e invisível. Ele enfatizou a importância de fortalecer as relações com a Alemanha e a União Europeia, destacando que o Brasil é o país-parceiro oficial da feira, com a participação de 300 empresas e 140 expositores.
O discurso de Lula foi especialmente direcionado às normas europeias, que, segundo o governo brasileiro, atuam como barreiras ao biocombustível nacional. No Encontro Econômico Brasil-Alemanha, o presidente rejeitou a ideia de que o crescimento desse setor possa ameaçar a produção de alimentos.
Ele afirmou: “Ninguém come biodiesel, ninguém come gasolina, as pessoas comem comida”, ressaltando que o Brasil possui a capacidade de aumentar a produção de energia limpa sem comprometer a segurança alimentar.
Lula também criticou as propostas em discussão na União Europeia sobre regulação de biocombustíveis e cálculo de carbono, argumentando que essas medidas desconsideram as práticas sustentáveis do Brasil e ignoram que sua matriz energética é baseada em fontes mais limpas do que as de muitos países europeus.
Além de abordar questões energéticas, Lula voltou a defender o acordo entre Mercosul e União Europeia, afirmando que o tratado é crucial para expandir o comércio entre os dois blocos. Ele pediu maior empenho dos setores que apoiam a implementação do acordo, especialmente na Europa.
O presidente enfatizou a necessidade de que os defensores do acordo se manifestem de maneira mais contundente do que os grupos contrários ao avanço do tratado.
A visita de Lula à feira também incluiu paradas em estandes de empresas brasileiras, onde ele destacou o potencial nacional em inovação e transição energética. No estande da Weg, o presidente conheceu motores sustentáveis em desenvolvimento e, em seguida, visitou a empresa B8, que apresentou o biocombustível BeVant.
Lula teve a oportunidade de subir em um caminhão da Mercedes-Benz que utiliza esse combustível, que, segundo os expositores, pode reduzir em até 99% as emissões de CO2 em comparação com o diesel fóssil. Ele enfatizou que o Brasil possui “a fonte energética mais limpa do mundo”, mencionando a mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel comercializado no país.
No estande da ApexBrasil, Lula entrou no eVTOL da Eve, subsidiária da Embraer, e foi informado que a primeira operação comercial do modelo deverá ocorrer em São Paulo, por meio da empresa Revo. O presidente também conversou com representantes da Vale e conheceu um ônibus elétrico utilizado no transporte público de Hanôver.
A agenda do presidente na feira teve como objetivo reforçar a posição do Brasil como um fornecedor estratégico de energia limpa e um parceiro industrial relevante no cenário global de descarbonização.
