Governo avalia exportação de excedente de energia hidrelétrica para Argentina e Uruguai
Governo brasileiro propõe nova modalidade de exportação de energia para Argentina e Uruguai.
O governo brasileiro está desenvolvendo uma nova modalidade de exportação de energia elétrica para a Argentina e o Uruguai, que se baseia na venda antecipada de energia ainda a ser gerada. Este mecanismo, denominado “vertimento turbinável antecipado”, visa otimizar a utilização de recursos hídricos.
As informações sobre essa proposta foram divulgadas em documentos de uma consulta pública iniciada recentemente. A nova modalidade permitirá a venda antecipada de energia que poderia ser gerada a partir de água excedente dos reservatórios, evitando assim o desperdício desse recurso precioso.
- 🔎 Essa modalidade permite antecipar a venda de energia que poderia ser produzida com água excedente dos reservatórios e que, sem essa medida, acabaria sendo desperdiçada.
A proposta já era defendida por grandes geradores de energia elétrica, que discutiam com o governo, nos últimos anos, a viabilidade dessa nova abordagem. Em 2022, o Brasil estabeleceu regras para a exportação de geração hidrelétrica excedente, mas focadas em vertimentos “iminentes”, que são sobras de água que devem ocorrer em breve.
- 🔎 Vertimentos iminentes são sobras de água que devem ocorrer em breve. Já os vertimentos futuros são excedentes previstos para os próximos meses, com tempo para planejamento.
A primeira modalidade de exportação foi utilizada em 2023, quando um período de chuvas abundantes levou as usinas hidrelétricas a abrirem seus vertedouros, resultando em um benefício financeiro significativo. A nova proposta permitirá que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) autorize a exportação antecipada quando houver previsão de sobra futura de água capaz de gerar energia.
A operação será realizada por usinas localizadas nos subsistemas Sul e Norte, garantindo que a energia dos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, essenciais para o abastecimento do país, seja preservada. A proposta considera dois períodos distintos ao longo do ano, de acordo com o ciclo de chuvas no Norte, que influencia a geração das grandes hidrelétricas da região.
No primeiro intervalo, de junho a novembro, correspondente ao período seco no Norte, a exportação antecipada poderá ocorrer, desde que os reservatórios do Sul apresentem bons níveis de água. No segundo intervalo, de dezembro a maio, o foco será na recuperação do armazenamento no Sul, ampliando o uso das hidrelétricas do Norte.
Essa nova modalidade representa uma oportunidade significativa para os geradores hidrelétricos, permitindo evitar desperdícios e trazendo benefícios tanto para o sistema elétrico brasileiro quanto para os consumidores. A presidente da Abrage, associação que representa grandes investidores do setor, destacou que o Brasil já poderia ter explorado essa possibilidade nos últimos anos.
Ela enfatizou que, em um sistema cada vez mais voltado para fontes renováveis, o desafio não é apenas gerar energia limpa, mas também impedir seu desperdício. A nova modalidade de exportação antecipada dependerá da adesão dos geradores e não incluirá usinas que operam sob o regime de cotas.
A operação será gerida pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que coordenará as atividades relacionadas a essa nova abordagem de exportação.
