Jornalismo apresenta queda no número de empregos, revela Dieese

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Jornalismo brasileiro enfrenta desafios com saldo negativo de empregos em 2025.

O cenário do jornalismo no Brasil em 2025 foi marcado por um saldo negativo de empregos formais, evidenciando a fragilidade do mercado de trabalho e as dificuldades enfrentadas pela categoria na busca por valorização. Dados de um estudo de conjuntura econômica revelam que as campanhas salariais para 2026 terão desafios significativos.

Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o setor registrou 10.132 admissões e 10.176 desligamentos, resultando em uma perda de 44 postos de trabalho. Esse saldo negativo se soma ao de 2025, que já havia acumulado a perda de 46 vagas.

Mesmo em um contexto de aquecimento do mercado de trabalho no país, o jornalismo continua a enfrentar um quadro de fragilidade, caracterizado pela redução de postos formais, alta rotatividade e crescente pressão sobre as condições de trabalho. A análise também revela desigualdades regionais, com estados apresentando saldos de empregos distintos. Na Bahia, foram gerados seis novos postos, enquanto São Paulo enfrentou uma perda de 138 vagas.

O estudo também destaca que, no contexto das negociações coletivas de 2025, a maioria dos reajustes salariais se limitou à reposição da inflação. Aproximadamente 77,3% dos reajustes acompanharam o INPC, resultando em uma variação real média de apenas 0,87% entre as categorias analisadas.

Precarização e pressão sobre a renda

A Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) aponta que esses números refletem a fragilidade do setor, onde a diminuição de postos formais se alia a reajustes modestos e à dificuldade de valorização salarial. O jornalismo continua a enfrentar vínculos instáveis, aumento da carga de trabalho, multifunções e formas precárias de contratação, mesmo em comparação com o mercado de trabalho mais amplo.

Fernanda Gama, diretora de Mobilização, Negociação Salarial e Direito Autoral da Fenaj, destaca que a precarização no jornalismo se aprofunda de maneira persistente. Ela enfatiza que essa situação não deve ser tratada como uma naturalidade do mercado, pois compromete direitos, enfraquece a profissão e impacta diretamente a qualidade da informação disponível à sociedade. O combate a essa lógica deve ser uma prioridade nas ações sindicais e nas campanhas salariais da categoria.

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