EUA determinam interrupção no envio de máquinas para a segunda maior fabricante de chips da China, segundo agência
Disputa entre EUA e China se intensifica com novas restrições ao setor de semicondutores.
O Departamento de Comércio dos Estados Unidos determinou que várias empresas do setor de semicondutores cessem o envio de ferramentas específicas à Hua Hong, a segunda maior fabricante de chips da China. Essa decisão representa um novo passo para desacelerar o avanço tecnológico no país asiático.
A medida, anunciada na semana passada, é parte de uma estratégia mais ampla dos EUA para controlar o desenvolvimento de chips avançados na China, conforme informações de fontes bem informadas. O governo americano acredita que a Hua Hong tem a capacidade de produzir chips que podem competir com os melhores do mundo.
Cartas foram enviadas a várias empresas, informando sobre as novas restrições que afetam ferramentas e materiais destinados às instalações da Hua Hong. As autoridades americanas estão preocupadas com a possibilidade de que a empresa possa desenvolver tecnologias que desafiem a liderança dos EUA em semicondutores.
Entre as empresas notificadas estão grandes fabricantes de equipamentos para chips dos EUA, como Lam Research, Applied Materials e KLA, todas com uma presença significativa no mercado chinês. Essa situação pode impactar não apenas a Hua Hong, mas também as empresas que dependem do fornecimento para manter suas operações.
Recentemente, foi reportado que a Hua Hong havia avançado em tecnologias de fabricação que poderiam ser utilizadas na produção de chips de inteligência artificial, um marco importante para a autossuficiência tecnológica da China. A Huali Microelectronics, unidade de fabricação do grupo, estava se preparando para implementar um processo de produção de 7 nanômetros em sua planta em Xangai.
Atualmente, a SMIC é a única fabricante na China capaz de produzir chips com tecnologia de 7 nanômetros, o que a coloca em uma posição privilegiada no mercado. As cartas do Departamento de Comércio também visam restringir envios à Huali, aumentando a pressão sobre as capacidades de produção chinesas.
As ações das empresas KLA, Lam e Applied sofreram queda entre 4% e 6% após a divulgação das novas restrições, enquanto os papéis da Hua Hong recuaram 3,5% em resposta às notícias.
EUA buscam proteger liderança em chips de IA
Nos últimos anos, o Departamento de Comércio tem implementado uma série de restrições ao envio de equipamentos dos EUA para fábricas chinesas que produzem chips avançados, com o objetivo de preservar a liderança tecnológica americana na produção de semicondutores e chips de inteligência artificial, em nome da segurança nacional.
Essas novas cartas reafirmam essa política, mas também podem aumentar as tensões entre os dois países, especialmente com a reunião agendada para maio entre os presidentes dos EUA e da China. A situação é delicada e pode afetar as relações comerciais entre as nações.
Empresas americanas de equipamentos para chips podem enfrentar perdas significativas, com estimativas de bilhões de dólares em vendas, especialmente aquelas que fornecem fábricas em construção ou modernização para a produção de chips mais avançados.
Embora as restrições possam desacelerar o progresso da indústria chinesa de semicondutores, a Hua Hong pode buscar alternativas em fornecedores estrangeiros ou locais para contornar as limitações impostas pelos EUA.
Um porta-voz do Departamento de Comércio não comentou sobre a situação, e a Hua Hong, assim como as empresas Lam Research, Applied Materials e KLA, não se manifestaram sobre o assunto até o momento.
