Musk e OpenAI enfrentam tribunal no segundo dia de julgamento
Julgamento entre Musk e Altman pode redefinir o futuro da inteligência artificial.
Um julgamento que promete impactar a trajetória da inteligência artificial começou nesta terça-feira (28), com Elon Musk e Sam Altman em lados opostos da disputa sobre a OpenAI, a criadora do ChatGPT.
Musk, conhecido por sua fortuna bilionária, está reivindicando US$ 150 bilhões em indenizações, alegando que esse montante será direcionado ao braço beneficente da OpenAI. A ação judicial também envolve a Microsoft, uma das principais investidoras da organização.
No início do processo, o advogado de Musk, Steven Molo, afirmou que Altman e o presidente da OpenAI, Greg Brockman, “roubaram uma instituição beneficente”. Ele pediu que o tribunal responsabilizasse os réus por suas ações.
Musk também solicita que a OpenAI retorne à sua estrutura sem fins lucrativos, com a remoção de Altman e Brockman de seus cargos executivos e a exclusão de Altman do conselho.
Ambos os bilionários compareceram ao tribunal para apresentar suas declarações iniciais. Musk, fundador da Tesla e SpaceX, mencionou ter investido cerca de US$ 38 milhões na OpenAI em seus primórdios, antes da transformação da empresa em uma entidade com fins lucrativos em março de 2019, um ano após sua saída do conselho.
A OpenAI, por sua vez, defende que Musk estava ciente e apoiava a mudança na estrutura da empresa, alegando que ele entrou com a ação apenas após não conseguir assumir o cargo de CEO e fundar sua própria empresa de inteligência artificial.
Musk afirma que não busca compensação pessoal, mas sim responsabilizar os réus por violação de dever fiduciário e enriquecimento ilícito. A juíza distrital dos EUA, Yvonne Gonzalez Rogers, espera que os jurados iniciem as deliberações sobre a responsabilidade dos réus até 12 de maio.
O júri é composto por enfermeiros, funcionários municipais e aposentados. Se os réus forem considerados responsáveis, ambas as partes apresentarão seus argumentos sobre possíveis medidas a serem adotadas.
Entre as testemunhas esperadas estão Musk, Altman e o CEO da Microsoft, Satya Nadella. Shivon Zilis, ex-membro do conselho da OpenAI e mãe de quatro filhos de Musk, também deve ser uma testemunha importante no processo.
De ‘Projeto Manhattan’ a disputa de egos
Documentos internos revelados durante o processo fornecem uma visão detalhada da evolução da OpenAI, que começou em um laboratório de pesquisa no apartamento de Greg Brockman e hoje é avaliada em mais de US$ 850 bilhões.
A ideia original foi apresentada por Altman a Musk em 2015, sendo descrita como o “Projeto Manhattan da IA”. O apoio de Musk foi crucial para atrair cientistas renomados para a iniciativa.
Contudo, em 2017, surgiram tensões quando Musk questionou a viabilidade do projeto e tentou assumir o controle como CEO. Anotações do diário de Brockman indicavam seu desejo de “se livrar” de Musk, referindo-se a ele de forma irônica como “líder glorioso”.
Musk deixou o conselho em 2018, prevendo que a OpenAI não conseguiria competir com o Google. A reestruturação da empresa em 2019 para aceitar investimentos externos e o lançamento do ChatGPT no final de 2022 solidificaram seu sucesso global.
O desfecho do caso ocorre em um momento crucial, com a OpenAI considerando uma possível abertura de capital que poderia elevar seu valor de mercado para US$ 1 trilhão.
Enquanto isso, a xAI de Musk busca reduzir a distância tecnológica em relação ao ChatGPT, e a SpaceX também planeja sua própria oferta pública de ações.
