União Europeia planeja classificar Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista

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União Europeia considera designar Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista.

A União Europeia está avançando para incluir a Guarda Revolucionária do Irã na lista de organizações terroristas, em resposta à repressão violenta a protestos em várias cidades do país, que resultaram em milhares de mortes nas últimas semanas.

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, confirmou a intenção durante uma reunião de ministros das Relações Exteriores em Bruxelas. Ela destacou que a inclusão da Guarda no rol de terroristas a equipararia a grupos como Al Qaeda, Hamas e Daesh, enfatizando que ações terroristas devem ser tratadas com a devida severidade.

Essa medida é uma resposta a relatos de brutalidade contra manifestantes que protestam contra o regime clerical em Teerã. Kallas afirmou que a decisão servirá como um aviso claro de que a repressão a cidadãos terá consequências, incluindo sanções.

A designação da Guarda Revolucionária como organização terrorista requer apoio unânime dos 27 países da UE. Se aprovada, essa decisão representará um endurecimento significativo na postura da Europa em relação ao governo iraniano, além de se somar a planos de sanções contra indivíduos e entidades ligadas à repressão e ao apoio do Irã à Rússia na guerra contra a Ucrânia.

A Guarda Revolucionária é uma das principais forças armadas do Irã, composta por dezenas de milhares de integrantes. A mudança de postura das capitais europeias, que anteriormente resistiam à proposta, é significativa. A França, por exemplo, retirou sua oposição e afirmou que as sanções são uma resposta necessária à coragem dos iranianos que enfrentam a violência do regime.

Outros países, como Itália e Espanha, também manifestaram apoio à medida, citando a brutalidade da repressão. O chanceler dos Países Baixos destacou que as recentes imagens de Teerã mostram que uma linha foi ultrapassada, justificando a ação da UE.

Embora o número exato de mortos seja difícil de confirmar devido ao bloqueio de internet no Irã, estimativas iniciais apontam para pelo menos 6.000 vítimas. Os Estados Unidos já classificaram a Guarda Revolucionária como organização terrorista em 2019 e estão pressionando a UE a adotar a mesma postura. O presidente americano, Donald Trump, alertou que “o tempo está se esgotando” para o regime iraniano.

PROTESTOS NO IRÃ

Os protestos no Irã começaram em 28 de dezembro de 2025, motivados pela grave crise econômica, que inclui uma desvalorização acentuada da moeda e uma inflação de 42,2%. Comerciantes e trabalhadores estão exigindo alívio econômico e reformas políticas.

À medida que as manifestações se intensificaram, os protestantes começaram a exigir mais liberdade e criticaram o governo do aiatolá Ali Khamenei. O regime respondeu com repressão violenta, utilizando armas de fogo e gás lacrimogêneo contra os manifestantes. O acesso à internet foi cortado em 9 de janeiro, dificultando a comunicação e a organização dos protestos.

A SpaceX, de Elon Musk, começou a oferecer acesso à internet via satélite no Irã para contornar as restrições. Estimativas indicam que ao menos 5.000 pessoas já morreram nos protestos, embora esse número não tenha sido oficialmente confirmado. O aiatolá Khamenei tem se referido aos manifestantes como “sabotadores”.

  • Ali Khamenei – o líder supremo do Irã, no poder desde 1989, comanda uma teocracia islâmica que concentra poder absoluto em suas mãos. O regime, baseado na Sharia, impõe severas restrições, especialmente às mulheres, como o uso obrigatório do hijab e a necessidade de autorização marital para viagens internacionais. A oposição no Irã é fragmentada, incluindo monarquistas exilados, a MEK (Organização dos Mujahideen do Povo), minorias étnicas e movimentos de protesto sem liderança unificada.

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