Fiergs aponta que juros altos dificultam produção industrial

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Manutenção da Selic em 15% ao ano gera preocupações no setor industrial

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros em 15% ao ano, anunciada recentemente, representa mais um desafio para o setor produtivo. A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) destacou que essa medida pressiona ainda mais as margens de lucro das empresas e dificulta o investimento.

Claudio Bier, presidente da Fiergs, enfatizou que os juros elevados permanecem como um dos principais obstáculos à atividade industrial, juntamente com problemas estruturais como a elevada carga tributária e a baixa demanda interna. A recente Sondagem Industrial da entidade reforçou esses pontos, evidenciando que as dificuldades financeiras enfrentadas pelas indústrias são exacerbadas pela alta da Selic.

Além disso, a manutenção dessa taxa limita o acesso ao crédito e desestimula investimentos, comprometendo a recuperação da atividade industrial. Bier reconheceu que o Banco Central opera dentro dos limites impostos por um cenário de incertezas fiscais e expectativas de inflação instáveis. Ele ressaltou que a raiz do problema está na falta de comprometimento do governo federal com as contas públicas.

Para que a indústria possa prosperar, Bier defende a necessidade de um equilíbrio nas contas públicas, afirmando que sem uma âncora fiscal confiável não há condições para uma redução sustentável dos juros. Essa situação é crucial para que o Brasil consiga retomar um crescimento econômico sólido e sustentável, com a indústria desempenhando um papel central nesse processo.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS) também comentou a decisão do Copom, que era esperada. Com a Selic mantida em 15%, as taxas de juros reais estão em cerca de 11% ao ano. A Fecomércio-RS apontou que a persistência de juros tão altos está relacionada a desequilíbrios crônicos nas contas públicas e ao aumento do crédito direcionado no sistema financeiro.

Estimativas indicam que, em 2026, aproximadamente 1 ponto percentual do crescimento econômico será impulsionado por medidas fiscais do governo federal. A dívida pública, que já se aproxima de 80% do PIB, apresenta uma trajetória preocupante, onde mesmo as metas fiscais sendo cumpridas, o custo disso é a manutenção de juros elevados. O aumento da participação do crédito direcionado no mercado, que passou de 40,2% em dezembro de 2022 para 42,8% em novembro de 2025, também reduz a eficácia da política monetária tradicional, exigindo taxas ainda mais altas para impactar o mercado.

Luiz Carlos Bohn, presidente da Fecomércio-RS, destacou que essa realidade reforça a tendência de juros persistentemente altos na economia brasileira, o que impacta diretamente a capacidade de investimento e a atividade produtiva no País.

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