Google encerra rede chinesa que explorava milhões de dispositivos domésticos
Google combate rede de uso indevido da internet ligada à Ipidea.
O Google anunciou uma ação significativa contra a Ipidea, uma empresa chinesa acusada de operar uma vasta rede de softwares maliciosos em dispositivos domésticos. A gigante da tecnologia utilizou uma ordem judicial federal para desativar diversos domínios associados à companhia, resultando na remoção de centenas de aplicativos do ecossistema Android.
Com essa ação, o Google não apenas retirou do ar os sites da Ipidea, mas também assumiu parte de sua infraestrutura técnica. Estima-se que mais de nove milhões de dispositivos tenham sido desconectados da rede da empresa, que é identificada como operadora de uma rede de “proxy residencial”. Esse tipo de serviço transforma dispositivos comuns, como smartphones e computadores, em pontos intermediários de acesso à internet, permitindo que terceiros naveguem de forma anônima.
Especialistas comparam esse modelo a um “Airbnb da banda larga”, mas com a ressalva de que, muitas vezes, os proprietários dos dispositivos não têm conhecimento de que suas máquinas estão sendo utilizadas dessa maneira. O acesso à rede geralmente é instalado junto com aplicativos aparentemente inofensivos, ocultando a verdadeira finalidade da conexão.
Embora os serviços de proxy residencial possam ter usos legítimos, como navegação anônima e coleta de dados, a Ipidea passou a promover seus serviços em fóruns hackers desde o final de 2022, levantando sérias preocupações sobre suas intenções. Segundo analistas de segurança, essa infraestrutura representa uma ameaça não apenas aos consumidores, mas também à segurança nacional, pois pode ser explorada por criminosos e grupos patrocinados por Estados.
Um exemplo alarmante é o uso de serviços de proxy residencial por grupos como o russo Midnight Blizzard, que foi responsabilizado por um ataque à Microsoft em 2023. A Ipidea, por sua vez, defende que sempre se opôs a práticas ilegais e que seus serviços eram destinados a usos comerciais legítimos, embora tenha admitido ter adotado estratégias de expansão inadequadas no passado.
Além disso, especialistas alertam que essas redes ampliam a vulnerabilidade da internet. Um dispositivo comprometido pode dar acesso a sistemas corporativos, expondo informações sensíveis. O risco foi evidenciado no ano anterior, quando hackers exploraram uma falha em dispositivos conectados à rede da Ipidea, formando uma botnet chamada Kimwolf, considerada uma das mais poderosas já registradas.
A Ipidea afirma ter corrigido as falhas que permitiram essa exploração e adotado medidas para prevenir futuros incidentes. A situação destaca a necessidade de vigilância contínua e segurança robusta na era digital.
