Mudanças na TV aberta estão previstas para acontecer no Brasil em breve

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Brasil inicia testes da TV 3.0, prometendo uma revolução na televisão aberta.

No dia 14 de abril, o Brasil deu um passo significativo rumo à modernização da televisão aberta ao iniciar a fase prática da TV 3.0. A cerimônia de inauguração da estação de testes ocorreu na Torre de TV de Brasília, com a participação do Ministério das Comunicações, Anatel e EBC. Este projeto marca o início de uma transição tecnológica que deve se estender por até 15 anos, impactando cerca de 90 milhões de televisores em todo o país. As primeiras transmissões experimentais estão programadas para 2026, começando pelas grandes capitais.

A nova tecnologia, denominada DTV+, promete revolucionar a experiência do telespectador. Além de proporcionar uma qualidade de imagem superior, ela integra o sinal tradicional de transmissão com a internet, transformando a TV aberta em uma plataforma interativa. Isso permitirá a navegação por aplicativos, acesso a conteúdo sob demanda, publicidade segmentada e recursos de acessibilidade aprimorados.

A TV aberta continuará sendo gratuita, mantendo seu status como o principal meio de consumo de vídeo no Brasil. Dados recentes indicam que, em março de 2025, a televisão aberta ainda representava 70% do total de consumo de vídeo no país, evidenciando sua relevância no cotidiano dos brasileiros.

Um novo padrão para uma televisão de alta presença no cotidiano

Para compreender a magnitude dessa mudança, é essencial analisar o atual sistema de TV digital, que está em operação no Brasil desde 2007. Este sistema transmite em 1080i, um formato entrelaçado que, na prática, oferece uma qualidade percebida mais próxima do 720p progressivo.

  • “i” e “p” referem-se ao método de exibição da imagem na tela.
  • O número indica a quantidade de linhas da imagem; a letra, o modo de exibição.
  • i = interlaced (entrelaçado): a imagem é formada em duas etapas, gerando perda de nitidez em cenas rápidas.
  • p = progressive (progressivo): a imagem é exibida de uma vez, proporcionando melhor qualidade em movimentos rápidos.

Sergio Bruzetti, coordenador do Módulo de Mercado do Fórum SBTVD, ressalta que o sinal entrelaçado limita a nitidez em cenas com movimento rápido. Embora tenha sido eficaz na digitalização da TV aberta, a evolução dos hábitos de consumo torna a transição tecnológica imprescindível.

Atualmente, os brasileiros dedicam, em média, 5 horas e 14 minutos por dia à televisão linear, com a TV presente em 95% dos lares do país. A pesquisa aponta que 42,5% da população considera a TV o meio de comunicação mais confiável.

Entretanto, o crescimento das plataformas de streaming está mudando o cenário. Em dezembro de 2024, as plataformas digitais representaram 20,1% da audiência total no Brasil, com o YouTube liderando com 12,6% e a Netflix com 4,6%. A TV paga, por sua vez, está em declínio, com 7,6 milhões de pontos ativos, a menor taxa desde 2009.

O especialista em tecnologia e inovação, Arthur Igreja, acredita que a TV 3.0 ainda terá seu espaço em um ambiente dominado por plataformas digitais. Ele enfatiza que a interatividade da nova tecnologia atrairá um público que não possui assinaturas de streaming, seja por falta de familiaridade ou recursos financeiros.

Igreja também destaca que as novas tecnologias não excluem as existentes: “Quem já possui streaming também se beneficiará de conteúdos e canais adicionais.”

Navegação por aplicativos e integração com a internet

A principal inovação para o telespectador será a nova forma de interação com a TV. O acesso aos canais, que antes era realizado por números, agora será feito através de uma interface semelhante à das plataformas de streaming, baseada em aplicativos e ícones.

De acordo com o Fórum SBTVD, as emissoras devem operar em formato de aplicativos, expandindo a experiência além do conteúdo linear. Isso incluirá acesso a catálogos sob demanda, múltiplos ângulos de imagem, diferentes trilhas de áudio, enquetes em tempo real, publicidade segmentada e recomendações personalizadas.</

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