Marina critica redução de penas para golpistas e Haddad menciona acordo que favorece a impunidade
Ex-ministros criticam derrubada de veto ao PL da Dosimetria e alertam sobre a impunidade.
Os ex-ministros Marina Silva e Fernando Haddad manifestaram sua desaprovação em relação à recente derrubada do veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria, destacando que aqueles envolvidos em ataques à democracia não deveriam ter suas penas reduzidas.
Marina Silva expressou sua indignação durante um ato em São Paulo, afirmando que a decisão do Congresso foi vergonhosa. Ela enfatizou que a diminuição das penas para os que atacaram a democracia é uma tentativa hipócrita de justificar ações ilícitas, clamando que as penas deveriam ser mais severas.
Fernando Haddad, que também deve concorrer ao Governo de São Paulo, criticou a aprovação do PL da Dosimetria como um sinal de impunidade crescente no Brasil. Ele argumentou que a recente decisão do Congresso representa uma derrota no combate à corrupção, sugerindo que há um acordo por trás que favorece a impunidade de figuras envolvidas em escândalos políticos.
O relator do projeto, deputado Paulinho da Força, estava presente no evento, mas optou por não subir ao palco onde estavam Haddad e Marina. A proposta aprovada pelo Congresso Nacional na última quinta-feira (30) visa reduzir as penas para condenados por golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na votação, 318 deputados se opuseram ao veto do presidente, enquanto 144 apoiaram sua manutenção. No Senado, a derrubada contou com 49 votos favoráveis e 24 contrários. O projeto altera a forma como as penas são aplicadas em casos de golpe de Estado, permitindo reduções significativas em determinadas circunstâncias.
Durante o ato, a deputada federal Erika Hilton classificou a derrubada do veto como uma “anistia disfarçada”, apontando que a medida protege uma classe política corrupta e ameaça a integridade do Supremo Tribunal Federal. Ela alertou que essa decisão enfraquece tanto o Congresso quanto a democracia brasileira, preparando o terreno para um possível regime autoritário.
A derrubada do veto representa a segunda derrota do governo Lula em menos de 24 horas, após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para o STF. Marina Silva, ao comentar sobre essa situação, enfatizou que a verdadeira perda não foi do presidente, mas sim do Brasil como um todo, ressaltando a importância da democracia e da proteção dos direitos da população.
