Governo Lula investiga traições em votação sobre Messias e antecipa exonerações após manobra do MDB

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Rejeição de Jorge Messias ao STF gera crise política no governo Lula.

BRASÍLIA, DF – Após a derrota no Senado, o presidente Lula e seus aliados se reuniram para analisar as traições que levaram à rejeição do nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal na noite de quarta-feira.

No Palácio da Alvorada, integrantes do governo identificaram dissidências em partidos como MDB e PSD, sob a liderança do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Essa situação expõe uma fragilidade nas articulações políticas do governo, que enfrenta um cenário de desconfiança entre seus aliados.

Colaboradores de Lula apontam que o senador Rodrigo Pacheco e o ministro Alexandre de Moraes também participaram de um pacto para barrar a nomeação de Messias. Pacheco, que era o preferido de Alcolumbre para a vaga no Supremo, se tornou um ponto de discórdia, especialmente com as ambições de Lula de contar com seu apoio nas eleições em Minas Gerais.

O acordo que culminou na rejeição de Messias teria sido discutido em um jantar na residência de Alcolumbre, com o objetivo de evitar uma mudança na correlação de forças no tribunal. Messias, ao defender um código de ética para o STF, acabou por desagradar alguns ministros, o que pode ter influenciado sua rejeição.

Entre os aliados de Lula, há suspeitas sobre o ex-ministro Renan Filho e seu pai, Renan Calheiros, do MDB de Alagoas, que teriam votado contra Messias em apoio a Bruno Dantas, ministro do TCU que também almejava a vaga no Supremo.

Com a situação se agravando, aliados do presidente consideram a exoneração de indicados de Alcolumbre, como os ministros Waldez Góes e Frederico Siqueira. Durante a reunião, Lula demonstrou tranquilidade e buscou confortar Messias após a rejeição.

A votação resultou em 34 votos a favor da indicação de Messias, com 42 votos contrários, marcando a primeira rejeição a um indicado do presidente ao STF desde 1894. Essa derrota representa um desafio significativo para a articulação política do governo.

Após a votação, Lula e Messias se comunicaram por telefone, com preocupação pelo estado emocional do indicado. O presidente costuma ressaltar a importância de não tomar decisões impulsivas em momentos de crise.

Qualquer reação do governo é aguardada para a próxima semana, após o feriado, quando se espera uma avaliação mais clara dos responsáveis pela derrota.

Durante a reunião, foi divulgada a agenda de Lula para quinta-feira, que inclui um encontro com o Ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, um indicado do União Brasil, partido de Alcolumbre. Essa escolha ressalta as complexidades das relações políticas em jogo.

O ministro José Guimarães, ao deixar o Congresso, destacou a necessidade de agir com inteligência diante da situação. Guimarães, que teve um papel crucial na articulação política do governo, enfrenta agora a pressão de lidar com a rejeição de Messias.

Durante a sabatina, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, também se reuniu com Lula e informou que o clima para a votação parecia favorável, o que torna a rejeição ainda mais surpreendente para os envolvidos.

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