Irã pode desenvolver bomba atômica em até um ano, mesmo em meio a conflitos
Irã afirma ter barrado navios americanos no estreito de Ormuz
Recentemente, o Irã anunciou que impediu a entrada de navios americanos no estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. Esta ação se dá em um contexto de crescente tensão entre o país e os Estados Unidos, especialmente em relação ao programa nuclear iraniano.
De acordo com análises de inteligência, o tempo necessário para que o Irã desenvolva uma arma nuclear permanece em torno de um ano. Essa informação foi divulgada em meio a operações militares recentes dos EUA, que visam desacelerar o avanço do programa nuclear iraniano. A avaliação é que, apesar das hostilidades, o cronograma para a produção de armamentos nucleares não sofreu alterações significativas desde o ano anterior.
Os ataques mais recentes realizados pelos Estados Unidos, iniciados em 28 de fevereiro, focaram principalmente em alvos militares convencionais, enquanto Israel também atacou instalações nucleares relevantes. A estratégia dos EUA, no entanto, levanta questionamentos sobre a eficácia das operações, uma vez que o estoque de urânio altamente enriquecido do Irã ainda representa uma preocupação significativa.
Antes de junho de 2025, a previsão era que o Irã pudesse gerar material suficiente para uma bomba em um período de três a seis meses. Contudo, após os ataques a instalações nucleares, essa estimativa foi estendida para um intervalo entre nove meses e um ano. Os bombardeios de junho, que destruíram ou danificaram as principais usinas de enriquecimento, não conseguiram, no entanto, confirmar o paradeiro de cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%.
Suspeitas indicam que parte desse material pode estar escondida em túneis subterrâneos em Isfahan, dificultando a verificação por parte da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A AIEA afirma que esse estoque poderia ser suficiente para a produção de até 10 armas nucleares, caso ocorra um enriquecimento adicional.
A Casa Branca declarou que as operações militares recentes conseguiram destruir instalações nucleares e enfraquecer a base industrial de defesa do Irã, dificultando o desenvolvimento do programa. Entretanto, fontes indicam que os EUA estão considerando ações mais arriscadas, incluindo operações terrestres para recuperar urânio armazenado.
Poucos avanços
As autoridades americanas reiteram que a eliminação da capacidade nuclear do Irã é uma prioridade na estratégia militar. Apesar dos ataques, a falta de mudanças significativas nos prazos de produção de armas nucleares sugere que o foco em alvos militares, e não nucleares, pode ter contribuído para essa estagnação.
Analistas destacam que as opções de ataque a alvos nucleares tornaram-se limitadas após os bombardeios anteriores. A dificuldade em medir o progresso do programa nuclear do Irã é uma preocupação constante para os serviços de inteligência, que enfrentam incertezas sobre o impacto das ações militares e a capacidade de desenvolvimento do país.
O Irã nega buscar armas nucleares e alega ter interrompido seu programa de desenvolvimento de ogivas em 2003. No entanto, especialistas apontam que partes desse projeto podem ter sido mantidas em segredo, alimentando as tensões na região.
