Promotora da Geórgia é sancionada por falhas de IA em caso de homicídio nos EUA
Suprema Corte da Geórgia pune promotora por uso inadequado de inteligência artificial em caso de assassinato.
A Suprema Corte do estado da Geórgia impôs sanções a uma promotora, evidenciando a seriedade do uso inadequado de ferramentas de inteligência artificial no sistema judicial.
Deborah Leslie, promotora assistente do condado de Clayton, foi proibida de atuar perante os juízes por um período de seis meses. Além disso, ela deverá participar de um treinamento adicional focado em ética, redação de documentos jurídicos e uso apropriado de inteligência artificial.
O tribunal identificou que “numerosas citações fictícias ou atribuídas erroneamente” estavam presentes em uma decisão de 2025, que negou o pedido de novo julgamento de um réu acusado de assassinato.
“Citar casos que não existem ou que não sustentam a tese para a qual são citados é uma violação das normas deste tribunal e está muito aquém da conduta que esperamos dos advogados da Geórgia”, afirmou um dos juízes.
Esse caso é emblemático, pois tribunais em todo os Estados Unidos têm aplicado punições a advogados que utilizam ferramentas de IA para pesquisas e textos jurídicos sem a devida verificação das informações. No entanto, neste incidente, o erro foi cometido por uma promotora e se tornou parte integrante de uma decisão judicial.
Leslie já havia pedido desculpas em um documento anterior, reconhecendo que não verificou de forma independente as citações geradas pela ferramenta de inteligência artificial. Até o momento, nem ela nem a promotoria do condado de Clayton se pronunciaram sobre o assunto.
A sanção está relacionada ao processo de Hannah Payne, que foi condenada a uma pena de prisão perpétua mais 13 anos por assassinato e cárcere privado de Kenneth Herring.
As citações incorretas foram inseridas em uma minuta de decisão elaborada por Leslie, que recomendava a rejeição do pedido de novo julgamento. O juiz do caso acatou partes desse texto, incluindo as referências falsas, ao indeferir o pedido.
Após a descoberta do problema, a Suprema Corte anulou a decisão anterior e ordenou a elaboração de uma nova sentença, excluindo as informações incorretas.
O advogado de Payne expressou que os erros prejudicaram o caso, ressaltando que “Hannah Payne tem argumentos sólidos para apelação. É lamentável que a má conduta do Estado esteja agora atrasando sua oportunidade de ter essas questões decididas”.
Esse incidente ressalta a necessidade de um uso responsável e ético da inteligência artificial no campo jurídico, evidenciando que a precisão e a verificação de informações são fundamentais para a integridade do sistema judicial.
