Estudos nos Estados Unidos revelam síndrome severa associada ao consumo de cannabis
Cresce o alerta sobre a síndrome da hiperêmese canabinóide entre usuários de cannabis.
Cientistas da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, alertam para uma condição crescente entre usuários regulares de cannabis: a síndrome da hiperêmese canabinóide. Este distúrbio, agora reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é caracterizado por crises intensas de dor abdominal, náuseas e vômitos, resultando em um aumento significativo no número de atendimentos de emergência. O reconhecimento oficial do diagnóstico promete facilitar a identificação da doença e ampliar o conhecimento sobre seus impactos.
A síndrome da hiperêmese canabinóide tem chamado a atenção de médicos e pesquisadores devido à sua peculiaridade: ela afeta apenas uma parcela dos usuários frequentes de cannabis, mas provoca crises tão severas que frequentemente levam os pacientes a buscar atendimento hospitalar. Classificada como um distúrbio gastrointestinal, seus sintomas incluem vômito persistente, dor abdominal aguda e náuseas que podem durar vários dias, com episódios recorrentes ao longo do ano.
Pesquisas indicam que os sintomas geralmente se manifestam horas ou até um dia após o último consumo da planta. Um dos aspectos mais intrigantes é que muitos pacientes relatam alívio temporário ao tomar banhos muito quentes. Apesar disso, a causa exata da síndrome ainda não está completamente esclarecida. O que se sabe é que a condição está relacionada ao uso contínuo de cannabis, mas não há uma explicação clara para a variação na suscetibilidade entre os usuários. A única forma comprovada de interromper as crises é a suspensão total do uso da substância.
Desde 1º de outubro, a síndrome passou a ter um código específico na Classificação Internacional de Doenças (CID), o R11.16. Essa mudança permite que hospitais e clínicas registrem casos de forma padronizada, facilitando a análise da evolução da síndrome. Pesquisadores destacam que, até então, os registros eram dispersos, dificultando o monitoramento. Com o novo código, será mais simples mapear a incidência real dos casos, identificar padrões e entender quem está mais vulnerável à condição, uma vez que, apesar da associação com o uso contínuo de cannabis, ainda não se compreende por que alguns usuários desenvolvem a síndrome e outros não.
A síndrome costuma manifestar-se em ciclos que podem ocorrer até quatro vezes por ano. Embora a cannabis seja utilizada para aliviar náuseas em tratamentos médicos, como no caso do câncer, a síndrome age de forma oposta, provocando episódios intensos de vômito. O tratamento se revela desafiador, pois medicamentos tradicionais contra enjoo nem sempre são eficazes. Assim, os médicos buscam alternativas, como Haldol, um antipsicótico, ou cremes de capsaicina, que proporcionam alívio das dores abdominais.
Outro aspecto importante em relação ao diagnóstico é que, mesmo apresentando os sintomas, muitos pacientes resistem à ideia de que a cannabis seja a causa de seus problemas, especialmente quando a utilizavam para fins terapêuticos. Essa resistência pode ser problemática, pois a dependência dificulta a suspensão do consumo de cannabis, que é considerada a única maneira de interromper efetivamente as crises.
