Empresa associada a Ciro Nogueira adquire ativo de R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão

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Investigação da PF revela irregularidades em operação envolvendo Ciro Nogueira.

A Polícia Federal identificou um “deságio expressivo” em uma transação que envolve uma empresa do núcleo familiar do senador Ciro Nogueira. A operação, que está sendo investigada, sugere que a empresa adquiriu uma participação societária de R$ 13 milhões por apenas R$ 1 milhão.

Esse fato é considerado um dos principais indícios de vantagem indevida atribuída ao congressista na Operação Compliance Zero, que foi deflagrada recentemente. A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, que também determinou a realização de medidas cautelares.

A empresa em questão, CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., vinculada à família de Nogueira, comprou 30% da Green Investimentos S.A. por um valor significativamente abaixo do mercado, que é estimado em R$ 13,06 milhões. A operação foi estruturada por Felipe Cançado Vorcaro, associado ao grupo investigado.

Além disso, a Green Investimentos possuía participação na Trinity Energias Renováveis, uma empresa que distribuía dividendos substanciais aos seus acionistas. Essa distribuição de lucros é utilizada pela PF para argumentar que o valor pago pela empresa de Nogueira é incompatível com o mercado.

Os investigadores apontam que, com base nos dividendos distribuídos, a empresa ligada ao senador teria direito a aproximadamente R$ 720 mil em um único exercício, o que indicaria que o investimento de R$ 1 milhão se pagaria rapidamente.

Na decisão, o ministro Mendonça observou que os elementos coletados indicam uma “vantagem negocial” de cerca de R$ 12 milhões em favor da empresa do senador. A investigação sugere que a operação foi realizada através de um “instrumento particular” e um “contrato de gaveta”, visando evitar a fiscalização e contornar regras do acordo de acionistas da Trinity.

Os objetivos dessa manobra, segundo a PF, eram permitir que a participação societária gerasse dividendos sem que a operação fosse detectada por mecanismos de fiscalização.

O ministro também listou indícios de crimes, incluindo corrupção passiva, corrupção ativa, organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro nacional.

Mendonça ressaltou que a investigação aponta para um arranjo que ultrapassa relações de mera amizade entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro. Além da operação societária, foram citados pagamentos mensais de até R$ 500 mil, uso de imóveis de luxo, viagens internacionais e voos privados atribuídos ao senador.

Como medida cautelar, o ministro determinou que Ciro Nogueira está proibido de manter contato com outros investigados da Operação Compliance Zero. O senador foi contatado para comentar sobre a investigação, mas não houve resposta até o fechamento desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja recebida.

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