Cloudflare reduz 20% da equipe e centraliza operações em inteligência artificial
Cloudflare anuncia corte de mais de 20% na força de trabalho em meio a resultados financeiros positivos.
A Cloudflare surpreendeu o mercado ao comunicar a redução de mais de 20% de sua força de trabalho global, mesmo após reportar resultados trimestrais que superaram as expectativas de Wall Street. Essa decisão está ligada à rápida adoção de inteligência artificial (IA) agêntica em suas operações.
Após o anúncio dos cortes, as ações da Cloudflare caíram cerca de 16%, refletindo a preocupação dos investidores com as possíveis consequências da reestruturação e com as previsões mais conservadoras para o próximo trimestre.
Os números operacionais, no entanto, foram robustos. A empresa registrou uma receita de US$ 640 milhões no primeiro trimestre de 2026, superando a expectativa de US$ 622 milhões. O lucro por ação também foi acima das previsões, alcançando 25 centavos em comparação com os 23 centavos esperados.
O foco principal, no entanto, foi a transformação estrutural do modelo de trabalho da empresa, impulsionada pela IA.
Em comunicado divulgado após o balanço, a Cloudflare anunciou a eliminação de mais de 1,1 mil posições globalmente. O CEO da empresa, Matthew Prince, destacou que a inteligência artificial “mudou fundamentalmente” a maneira como a companhia opera e realiza suas tarefas internas.
Funções na era agêntica
Prince afirmou que algumas funções deixaram de fazer sentido na nova estrutura operacional baseada em agentes de IA. Durante a conferência de resultados, ele mencionou que a empresa está adotando um modelo “AI-first”, onde agentes autônomos assumem atividades que antes eram executadas por humanos.
A Cloudflare revelou um aumento de mais de 600% no uso interno de inteligência artificial nos últimos três meses, o que acelerou a decisão de reorganizar equipes e redefinir prioridades operacionais.
Esse anúncio torna a Cloudflare um dos casos mais evidentes de substituição estrutural de funções corporativas por IA agêntica em larga escala.
O conceito de IA agêntica tem ganhado destaque no setor de tecnologia, descrevendo sistemas que podem executar tarefas de forma autônoma, tomar decisões e operar fluxos completos com mínima supervisão humana. Diferentemente dos modelos generativos tradicionais, que se concentram na produção de conteúdo, os agentes atuam diretamente em processos corporativos.
Nos bastidores da indústria, essa temática está rapidamente alterando as discussões sobre produtividade, estrutura organizacional e o futuro do trabalho nas empresas de tecnologia.
Apesar dos cortes, a Cloudflare mantém uma perspectiva otimista sobre o avanço da IA no mercado. Em seu release de resultados, Matthew Prince classificou a inteligência artificial como “o maior vento favorável da história da companhia”.
A empresa prevê uma receita entre US$ 664 milhões e US$ 665 milhões para o segundo trimestre, alinhando-se com as expectativas do mercado. Para o ano inteiro de 2026, a previsão é de faturamento entre US$ 2,805 bilhões e US$ 2,813 bilhões, levemente acima das estimativas de analistas.
A Cloudflare também projeta um lucro anual entre US$ 1,19 e US$ 1,20 por ação, superando as expectativas anteriores do mercado.
Embora ainda registre prejuízos, a companhia conseguiu reduzir significativamente seu déficit. No primeiro trimestre de 2026, a perda foi de aproximadamente US$ 22,9 milhões, uma queda em relação aos US$ 38,4 milhões do mesmo período do ano anterior.
