Morre Chico Lopes, ex-presidente do Banco Central durante a crise cambial de 1999, aos 80 anos
Economista Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central, morre aos 80 anos no Rio de Janeiro.
O economista Francisco Lafaiete de Pádua Lopes, conhecido como Chico Lopes, faleceu na última sexta-feira (8) no Rio de Janeiro, aos 80 anos. Ele estava internado no Hospital Pró-Cardíaco após ter passado por uma cirurgia intestinal.
Chico Lopes graduou-se pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com mestrado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e doutorado pela Universidade Harvard. Sua trajetória o destacou como um dos principais formuladores de políticas econômicas no Brasil. Ele teve um papel crucial na elaboração do Plano Cruzado, em 1986, e do Plano Bresser, em 1968.
Entre 1995 e 1998, Lopes ocupou a diretoria do Banco Central do Brasil e, de forma interina, a presidência da instituição entre janeiro e fevereiro de 1999. Durante sua gestão, ele foi um dos responsáveis pela criação do Comitê de Política Monetária (Copom), que define a taxa básica de juros, a Selic.
Seu curto período como presidente do Banco Central, que durou apenas 20 dias, coincidiu com a crise cambial de 1999. Após a saída de Gustavo Franco, Lopes assumiu interinamente o cargo e buscou conter a desvalorização do real através de um modelo de bandas diagonais exógenas, que estabelecia limites de oscilação para o dólar, com ajustes definidos pelo Banco Central.
O modelo, que visava criar uma faixa de oscilação para a moeda americana, não obteve sucesso e foi substituído por Arminio Fraga, que implementou o regime de metas de inflação no Brasil.
Além disso, Lopes enfrentou controvérsias, sendo acusado de favorecer os bancos Marka e FonteCindam em uma operação de socorro financeiro, onde o Banco Central vendeu dólares abaixo da cotação de mercado.
Em uma nota oficial, o Banco Central expressou suas condolências à família e amigos de Lopes, ressaltando que ele “marcou a história da estabilização econômica brasileira e deixa um legado de inteligência, ousadia intelectual e dedicação ao País” na memória da instituição e no pensamento econômico nacional.
