JBS de Joesley Batista sob investigação do governo Trump por influência estrangeira
Investigação dos EUA mira indústrias de carne brasileiras em meio a encontro entre Lula e Trump.
A recente reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em Washington ocorre em um contexto de crescente tensão entre os Estados Unidos e as indústrias de carne brasileiras. O governo americano está conduzindo uma investigação significativa sobre práticas anticompetitivas no setor, que inclui duas das quatro maiores empresas de carne do país, controladas por capital brasileiro.
Embora a questão não tenha sido oficialmente discutida durante o encontro, sinais indicam que as autoridades dos EUA estão atentas à situação. Lula, em uma coletiva de imprensa após a reunião, fez uma observação humorística sobre a possibilidade de ter consumido carne brasileira durante o almoço oferecido por Trump.
Logo após a divulgação da visita de Lula aos EUA, o governo americano anunciou detalhes de uma investigação abrangente sobre a indústria de carne, levantando suspeitas sobre práticas de mercado. As chamadas “Quatro Grandes” do setor, responsáveis por cerca de 85% da atividade nos Estados Unidos, incluem a JBS Foods USA e a National Food, ambas com laços brasileiros.
A JBS, a maior processadora de carne do mundo, é uma das líderes do mercado americano, enquanto a National Food é controlada pela MBRF, resultado da fusão entre a BRF e a Marfrig. O empresário Joesley Batista, que tem ligação com a JBS, foi mencionado como um dos articuladores do encontro entre Lula e Trump, o que levanta questões sobre a influência das empresas brasileiras nas decisões políticas dos EUA.
As investigações visam não apenas as práticas de preços, mas também a influência estrangeira na cadeia de suprimentos americana. O conselheiro de Comércio e Manufatura dos EUA, Peter Navarro, destacou a importância desse tema, afirmando que as empresas brasileiras estão sob vigilância devido ao seu impacto no mercado local.
Além disso, o governo dos EUA anunciou recompensas financeiras para aqueles que fornecerem informações sobre práticas ilegais na indústria de carne. Essa medida é vista como uma resposta à pressão interna relacionada ao aumento do custo dos alimentos, que se tornou uma questão central na agenda política de Trump.
A investigação pode afetar a percepção pública das empresas brasileiras em setores estratégicos, enquanto o governo Trump busca abordar a inflação e a insatisfação do eleitorado com os preços elevados da carne. A National Beef, subsidiária da MBRF, afirma que opera em conformidade com as leis de defesa da concorrência e mantém relações sólidas com produtores locais.
As implicações dessa investigação são amplas, refletindo um cenário de crescente protecionismo e uma possível contaminação da agenda bilateral entre Brasil e Estados Unidos. O fortalecimento do discurso protecionista pode complicar ainda mais as relações comerciais entre os dois países, especialmente em um momento em que a segurança alimentar e a inflação estão em destaque.
As empresas citadas e os governos envolvidos ainda não se pronunciaram oficialmente sobre os desdobramentos da investigação. Assim que novas informações surgirem, o texto será atualizado.
