Medicamento chinês para Covid-19 pode ser utilizado no combate ao vírus Nipah

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Novos casos de vírus Nipah na Índia geram preocupação global e novas pesquisas antivirais.

Em janeiro de 2026, dois novos casos confirmados do vírus Nipah na Índia provocaram alarme internacional devido à sua alta letalidade. Com uma taxa de mortalidade que pode alcançar 75%, o vírus representa uma grave ameaça à saúde pública, especialmente por não haver vacina ou tratamento específico disponível.

Embora o Nipah não seja um agente novo, já causando surtos esporádicos na Ásia desde 1999, a atual situação é alarmante. Pesquisadores chineses descobriram que um antiviral desenvolvido para combater a Covid-19 pode ser eficaz contra o Nipah, trazendo uma nova esperança na luta contra essa infecção mortal.

O antiviral oral VV116, criado na China durante a pandemia, demonstrou resultados promissores em testes laboratoriais e em modelos animais. Essa abordagem de reaproveitar medicamentos existentes para enfrentar novas ameaças virais foi eficaz durante a Covid-19 e agora pode ser aplicada ao Nipah.

O vírus Nipah é considerado uma ameaça prioritária global: entenda quais são os seus riscos

Identificado pela primeira vez em um surto na Malásia entre 1998 e 1999, o vírus Nipah é transmitido principalmente por morcegos frugívoros do gênero Pteropus. Nos últimos anos, surtos recorrentes foram registrados em países como Bangladesh e Índia, geralmente associados ao contato com animais infectados ou ao consumo de alimentos contaminados.

O que torna o Nipah especialmente perigoso é não apenas sua alta letalidade, que varia entre 40% e 75%, mas também a gravidade das doenças que provoca. A infecção pode iniciar com sintomas respiratórios e rapidamente evoluir para complicações neurológicas graves, dificultando o diagnóstico precoce e o controle de surtos.

Devido a esses fatores, a Organização Mundial da Saúde classifica o Nipah como uma doença prioritária para pesquisa e desenvolvimento, mesmo na ausência de terapias aprovadas especificamente para combatê-lo.

Remédio criado por cientistas chineses para a Covid-19 virou alternativa contra um dos vírus mais letais do mundo

Pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan decidiram testar o potencial do VV116 contra o vírus Nipah, após dificuldades em encontrar tratamentos eficazes. O medicamento, que já foi aprovado para o tratamento da Covid-19 na China e no Uzbequistão, teve sua segurança em humanos amplamente avaliada.

Em uma pesquisa publicada em uma revista científica, os cientistas observaram que o VV116 conseguiu inibir duas cepas distintas do Nipah, a variante malaia e a bengalesa, sendo esta última responsável pelos surtos na Índia. Isso indica que o medicamento pode interferir na replicação do vírus, embora mais estudos sejam necessários para entender completamente seu mecanismo de ação.

Os resultados mais impressionantes vieram dos testes em animais

Para avaliar a eficácia do VV116, a equipe chinesa realizou testes em hamsters dourados, que são frequentemente utilizados em pesquisas sobre doenças infecciosas. Os resultados mostraram que uma única dose oral do antiviral aumentou a taxa de sobrevivência dos animais para 66,7% em um contexto que normalmente seria letal.

Além de reduzir a mortalidade, o medicamento diminuiu significativamente a carga viral em órgãos críticos, como pulmões, baço e cérebro, que são os mais afetados pela infecção por Nipah. Com um perfil de segurança já conhecido, o VV116 pode ser utilizado como uma medida preventiva em grupos de alto risco e como uma resposta rápida a surtos futuros.

Nanocorpos, alpacas e microscopia avançada: outras tecnologias também entram na tentativa de combater o Nipah

Além dos antivirais reaproveitados, a pesquisa contra o Nipah também avança com o uso de biotecnologia de ponta. Pesquisadores internacionais descobriram um nanocorpo, uma versão menor e mais estável de um anticorpo tradicional, que pode neutralizar tanto o vírus Nipah quanto o vírus Hendra, outro henipavírus altamente letal.

Produzido a partir do sistema imunológico de uma alpaca, o nanocorpo se liga às proteínas dos vírus, bloqueando sua entrada nas células. Por ser menor, mais resistente e mais fácil de produzir em larga escala, essa tecnologia pode se tornar uma alternativa viável em situações

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