Morte de Orelha revela preocupações sobre redes de tortura animal na internet

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Assassinato de cão comunitário em Santa Catarina alerta para redes que lucram com a tortura de animais.

A morte do cachorro comunitário conhecido como Orelha, assassinado na Praia Brava, em Santa Catarina, no início de janeiro, levantou um importante alerta sobre a existência de redes que incentivam e lucram com a tortura de animais em todo o mundo.

Embora não haja evidências que conectem os quatro adolescentes suspeitos de sua morte a esses grupos, o caso destaca a prática do “zoosadismo”, onde indivíduos ferem animais por prazer e compartilham imagens da violência em plataformas digitais.

Esse fenômeno representa um submundo da internet onde a violência é valorizada, gerando status e recompensas para aqueles que encomendam tais conteúdos. Especialistas indicam que a exposição de jovens a esse tipo de material não apenas normaliza a violência, mas também transforma o sofrimento animal em uma forma de entretenimento.

Crimes contra animais se disseminam em plataformas de tecnologia

A tortura de animais se tornou um negócio lucrativo em várias regiões do mundo. Em 2023, foi revelado que pessoas na Europa e nos Estados Unidos pagavam por vídeos de filhotes de macaco sendo torturados e mortos na Indonésia. Além disso, grupos têm utilizado canais no Telegram e no YouTube para disseminar vídeos de tortura de gatos.

Uma análise realizada por uma organização internacional de defesa dos animais em 2024, que examinou dois mil links denunciados, revelou que as redes sociais da Meta concentravam quase 90% desse conteúdo. O estudo também apontou que as empresas removeram apenas 36% dos vídeos denunciados.

No Brasil, a legislação sobre maus-tratos a animais se tornou mais rigorosa em 2020, prevendo penas de dois a cinco anos de prisão para quem maltrata cães e gatos. Desde a implementação dessas punições, o número de processos judiciais por violência contra animais aumentou em 1.400%. A comoção gerada pela morte de Orelha resultou na criação da Lei nº 19.726, que protege cães e gatos comunitários, que são aqueles que vivem nas ruas, mas recebem cuidados da comunidade.

Sobre o caso de Orelha, algumas informações importantes incluem:

  • A polícia indiciou familiares dos adolescentes por tentativas de intimidar testemunhas;
  • Os adolescentes suspeitos de matar o cão podem enfrentar medidas educativas com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA);
  • A polícia está analisando celulares e 72 horas de gravações para concluir a investigação.

Para prevenir incidentes semelhantes ao do cachorro comunitário, as autoridades enfatizam a importância de que as famílias monitorem o que os jovens consomem na internet. Além disso, há uma crescente pressão para que as empresas de tecnologia sejam responsabilizadas caso continuem a permitir a divulgação desse tipo de crime.

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