Moraes suspende dosimetria até julgamento do STF sobre lei que pode reduzir pena de Bolsonaro

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Ministro do STF suspende Lei da Dosimetria que poderia reduzir penas de condenados por atos golpistas.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu suspender a aplicação da Lei da Dosimetria, recentemente aprovada pelo Congresso Nacional. Esta lei poderia resultar na redução das penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros indivíduos condenados por tentativas de golpe de Estado e pelos eventos ocorridos em 8 de janeiro.

Na sua decisão, Moraes afirma que aguardará o julgamento do plenário do STF sobre a constitucionalidade da nova legislação, que já enfrenta questionamentos judiciais. Este posicionamento foi registrado em processos de execução penal relacionados a pelo menos dez casos dos ataques de 8 de janeiro.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, promulgou a Lei da Dosimetria na sexta-feira, após o presidente Lula deixar expirar o prazo para um veto integral ao texto, que havia sido derrubado pelo Congresso. Isso levou os advogados dos réus a acionarem o STF, solicitando a redução das penas com base na nova lei.

Na mesma data, a federação PSOL-Rede e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) também protocolaram ações no STF, buscando barrar a norma. Elas argumentam que a lei é inconstitucional e pedem uma medida cautelar para suspender sua eficácia.

Além disso, no sábado, uma nova ação direta de inconstitucionalidade foi apresentada pela federação composta por PT, PC do B e PV. Os autores sustentam que a vigência da Lei da Dosimetria, até que a ADI seja julgada, criaria um “incentivo perverso” para a realização de novos ataques às instituições democráticas.

De acordo com análises, ao avaliar a constitucionalidade da lei, o STF pode validá-la, mas com ressalvas sobre a necessidade de combater atos antidemocráticos. Existe um consenso de que a redução de penas é uma prerrogativa do Legislativo, mas alguns ministros expressam preocupações sobre o potencial incentivo a novos atos antidemocráticos.

Na sexta-feira, Moraes foi designado relator das ações, o que significa que ele não apenas relatará os casos relacionados à trama golpista, mas também conduzirá os processos referentes à Lei da Dosimetria.

Durante um evento em Florianópolis, o senador Flávio Bolsonaro criticou a decisão de Moraes, afirmando que a democracia é afetada por sua atuação. Ele descreveu a decisão como uma “canetada” que revoga a vontade dos representantes do povo.

Aprovado em dezembro, o projeto estabelece que as penas por crimes de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de Direito não devem ser somadas quando inseridas no mesmo contexto, aplicando-se a pena mais grave.

No caso de Jair Bolsonaro, a nova legislação poderia reduzir sua pena de 6 a 8 anos para um intervalo entre 2 anos e 4 meses e 4 anos e 2 meses, dependendo da interpretação. Ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes, sendo considerado líder da trama golpista.

Diferentemente dos outros condenados que já buscaram a redução de penas no STF, a defesa de Bolsonaro optou por aguardar antes de protocolar o pedido, aguardando a manifestação de Moraes sobre a validade da lei.

A defesa de Débora Rodrigues, conhecida como “Débora do Batom”, e de outros condenados expressou preocupação com a decisão de Moraes, alegando que a suspensão da lei por uma decisão individual é problemática.

O advogado Hélio Garcia Ortiz Junior destacou que a lei foi aprovada, promulgada e publicada, devendo ser aplicada imediatamente, e criticou a decisão que impede seus efeitos antes de uma deliberação final do plenário.

O senador Sergio Moro também expressou sua desaprovação à decisão de Moraes, argumentando que não é razoável suspender a lei que reduziu penas apenas porque partidos de oposição questionaram sua constitucionalidade.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, afirmou que a democracia é comprometida quando um juiz atua de forma unilateral e pediu a aprovação de uma proposta de emenda à Constituição que regulamente decisões monocráticas.

Por outro lado, parlamentares do governo manifestaram apoio à decisão de Moraes, como o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, que defendeu a medida como uma proteção à segurança jurídica e um

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