CMOs aprendem lições valiosas com modelos de crescimento asiáticos
Modelos de crescimento inovadores estão emergindo na Ásia, redefinindo o cenário global de negócios.
Um novo estudo revela que a Ásia está na vanguarda da inovação em modelos de crescimento empresarial, destacando a capacidade de criar novas arquiteturas de negócios que priorizam confiança, personalização e ressonância emocional.
As vantagens estruturais da região, como alta adoção digital e forte colaboração entre setores, são fundamentais. No entanto, a verdadeira transformação ocorre pela forma como as empresas estão organizando suas estratégias para capturar valor.
Entre os modelos identificados, destaca-se o de produtos orientados pela emoção, onde afinidade e identidade cultural se tornam motores econômicos. Exemplos como a Pop Mart, com seus colecionáveis em “blind boxes”, e o ecossistema do K-pop demonstram como comunidades engajadas podem gerar demanda consistente.
Outro modelo em ascensão é o comércio impulsionado por redes, onde criadores de conteúdo e comunidades atuam como canais de distribuição. Plataformas como TikTok e Douyin estão redefinindo o social commerce, transformando transmissões ao vivo em experiências de compra interativas. No Brasil, iniciativas como a Community Creator Academy estão na vanguarda dessa mudança.
A disrupção trazida por esse modelo foi amplamente discutida em eventos do setor, ressaltando que a linha entre mídia e venda está se dissolvendo. O foco agora é integrar conteúdo, comunidade e transação em um único ambiente.
Além disso, a microssegmentação e microprodução estão permitindo que empresas personalizem em escala industrial. Com a capacidade de testar pequenos lotes rapidamente, marcas como a Shein ajustam seu portfólio de acordo com a resposta do mercado.
Outro modelo emergente é a economia do conhecimento, onde a educação gratuita se torna uma estratégia central para a aquisição de clientes. Empresas como Zerodha e Groww têm prosperado ao oferecer conteúdo educacional sobre investimentos, estabelecendo confiança antes da monetização.
O conceito de conglomerados 3.0 também é relevante, caracterizando organizações que operam como ecossistemas integrados por infraestrutura digital compartilhada. A Ping An é um exemplo notável, conectando serviços financeiros, saúde e mobilidade em uma única plataforma.
Recentemente, surgiram as plataformas de consumo nativas de IA, onde a inteligência artificial desempenha um papel central. Tutores digitais e sistemas de recomendação personalizados estão ampliando a escala de atendimento e reduzindo custos. Essa abordagem tem sido utilizada com sucesso, como no caso do aplicativo Fluently, que oferece uma IA adaptada às preferências do usuário.
Esses modelos trazem à tona uma reflexão significativa para o marketing global e para os profissionais da área. O crescimento, antes visto como resultado de campanhas e eficiência, agora está intrinsecamente ligado ao design do modelo de negócio, exigindo uma mudança de mentalidade.
O conceito de growth deve ser uma preocupação compartilhada entre marketing, produto e tecnologia. Para os CMOs, entender a formação de comunidades, a distribuição de valor e o uso de dados em novos ecossistemas é essencial.
Assim, o marketing deve participar ativamente da construção de valor e da ampliação de receita, e a visão sistêmica torna-se uma competência central para a liderança na área.
