Vevo: Uma Década Após Seu Apogeu, Plataforma Enfrenta Queda de Popularidade

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Vevo: A trajetória de uma revolução que não se sustentou

Em dezembro de 2009, duas das maiores gravadoras do mundo lançaram a Vevo, uma plataforma que prometia revolucionar a indústria musical na internet. No entanto, a expectativa de controle sobre o mercado musical se desfez em menos de uma década.

A Vevo, que significa “Video Evolution”, surgiu em um momento crítico para a indústria musical, que enfrentava uma queda acentuada nas vendas de discos devido à pirataria e à digitalização descontrolada. O YouTube, já adquirido pelo Google, acumulava milhões de visualizações de videoclipes sem compensar as gravadoras, levando a Warner Music Group a retirar seu catálogo da plataforma em 2008.

Doug Morris, CEO da Universal Music Group na época, percebeu a oportunidade de monetizar os videoclipes ao observar seu neto consumindo vídeos online. A pressão por compensação financeira levou a acordos com empresas como Yahoo e MTV, culminando em um entendimento com o Google.

O início promissor

A Vevo foi oficialmente lançada em 8 de dezembro de 2009, resultado de um acordo entre a Universal, Sony e EMI, com a Warner se juntando em 2016. A plataforma oferecia videoclipes em alta definição, enquanto o YouTube atuava como distribuidor, ambos monetizando a publicidade gerada.

Nos primeiros meses, a Vevo tornou-se o site de música mais visitado dos EUA, superando o MySpace Music. O impacto financeiro foi notável, com o CPM médio de videoclipes online aumentando significativamente entre 2009 e 2013.

Em 2012, a Vevo registrou 41 bilhões de reproduções anuais e alcançou a MTV em audiência digital em 2013. O selo “Vevo Certified”, concedido a artistas com mais de 100 milhões de visualizações, tornou-se um símbolo de sucesso na indústria musical.

Desafios financeiros

Apesar do sucesso em audiência, a Vevo enfrentava um problema estrutural: seu modelo de divisão de receitas. Embora tenha gerado 250 milhões de dólares em 2013, a maior parte do lucro era distribuída entre gravadoras e o Google, deixando a Vevo com prejuízos operacionais.

Em 2014, a Vevo buscou um comprador, mas não encontrou interessados dispostos a pagar o valor pretendido. A empresa então decidiu buscar rentabilidade de forma independente.

Em 2015, Erik Huggers assumiu a liderança e propôs desenvolver aplicativos próprios e reduzir a dependência do YouTube, mas as tentativas de lançar um serviço de assinatura foram canceladas em 2017, levando a reestruturações e demissões.

A queda e nova direção

Em janeiro de 2018, o YouTube transferiu os inscritos dos canais Vevo para os novos Official Artist Channels, enquanto relançava o YouTube Music como serviço de assinatura. Embora a Vevo tivesse alcançado equilíbrio financeiro, seu modelo não se sustentou, levando à descontinuação da infraestrutura existente.

A Vevo, no entanto, não desapareceu completamente. A empresa redirecionou suas operações para o mercado de TVs conectadas e canais FAST, acumulando uma biblioteca de mais de 900 mil videoclipes e gerando bilhões de reproduções mensais.

O legado da Vevo inclui a definição do padrão de videoclipes em alta definição e a criação de uma infraestrutura de monetização que revitalizou a indústria. Contudo, a transformação dos videoclipes em conteúdos amadores no TikTok foi uma mudança que poucos poderiam prever.

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