Países Baixos se destacam como o terceiro maior exportador de alimentos do mundo apesar de seu território reduzido

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Inovações em horticultura nos Países Baixos aumentam a produtividade e sustentabilidade na agricultura.

Centenas de pés de tomate estão crescendo em uma estrutura de vidro, que não se assemelha a uma estufa comum. Este ambiente é controlado por tecnologia avançada que monitora variáveis como níveis de gás e cores de luz.

Sensores especializados enviam dados para computadores, que utilizam algoritmos de inteligência artificial para otimizar as condições de crescimento. Como resultado, a produção pode ser até cinco vezes maior do que em estufas tradicionais na América Latina.

As plantas estão localizadas no campus da Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen (WUR), um dos principais centros de pesquisa em produção de alimentos no mundo. Este local é conhecido como o Food Valley, onde a inovação agrícola é uma prioridade.

Os Países Baixos se destacam como o terceiro maior exportador de alimentos do mundo, apesar de seu pequeno território. Especialistas discutem como essa eficiência pode ser aplicada na América Latina, onde a agricultura enfrenta desafios diferentes, como a escassez de água e a necessidade de aumentar a sustentabilidade.

Condições favoráveis

O clima e a localização geográfica dos Países Baixos favorecem a produção agrícola. O professor Leo Marcelis, chefe do grupo de Horticultura e Fisiologia Vegetal, ressalta que o país possui um clima marítimo, com verões amenos e invernos moderados.

“Temos um clima razoável e água em abundância,” afirma Marcelis.

Além disso, a proximidade com grandes mercados europeus e o porto de Roterdã, o maior da Europa Ocidental, facilitam a exportação de produtos agrícolas, como vegetais, carne e laticínios.

O país também importa grandes quantidades de matéria-prima para processamento, como cacau, o que contribui para sua forte posição no mercado global.

Estufas de alta tecnologia do país têm produtividade até cinco vezes maior que convencionais

Grandes quantidades de produtos, como vegetais e flores, são leiloadas em mercados locais, onde a colaboração entre agricultores é uma tradição que fortalece a produção.

‘Todo um ecossistema’ de inovação

A inovação é um motor fundamental da produção agrícola nos Países Baixos. O campus de Wageningen abriga não apenas a universidade, mas também empresas que colaboram em pesquisas e desenvolvimentos tecnológicos.

Marcelis destaca a importância do financiamento colaborativo, onde a pesquisa é frequentemente realizada em parceria com empresas para garantir relevância e eficácia nos resultados.

“Isso significa que, se pesquisamos algo, precisa estar relacionado ao que as empresas consideram relevante.”

Os projetos de pesquisa são estruturados com acordos de transparência e propriedade intelectual, permitindo um fluxo contínuo de inovações para os agricultores.

Estufas com sensores

As estufas de alta tecnologia em Wageningen são um exemplo de inovação, onde a produtividade pode atingir até 100 kg de tomates por metro quadrado por ano, em comparação com a média de 20 kg em estufas convencionais.

Os sistemas de cultivo utilizam substratos que permitem maior controle sobre os nutrientes e a reutilização da água, reduzindo o impacto ambiental.

“Esses sistemas permitem o controle preciso das condições ambientais às quais as plantações são expostas.”

A monitorização constante de variáveis como temperatura e níveis de CO2 é realizada por sensores, e a utilização de luzes LED de diferentes cores ajuda a maximizar a produção de compostos desejados nas plantas.

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