Lula anuncia pacote de R$ 11 bilhões no combate ao crime organizado nesta terça-feira
Programa Brasil Contra o Crime Organizado é lançado por Lula visando a segurança pública.
O presidente Lula lançou, nesta terça-feira (12), no Palácio do Planalto, o programa Brasil Contra o Crime Organizado. Esta iniciativa do governo federal busca abordar uma das questões mais críticas da disputa eleitoral de 2026: a segurança pública.
Durante a cerimônia de apresentação, Lula esteve acompanhado do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. O pacote do programa prevê um investimento total de R$ 11,1 bilhões, destinado a desarticular as bases econômicas, operacionais e sociais de facções criminosas e milícias. Desse total, R$ 968,2 milhões serão aplicados diretamente, enquanto R$ 10 bilhões serão direcionados a financiamentos para Estados e municípios.
Uma pesquisa recente revelou que 41,2% dos brasileiros com 16 anos ou mais reconhecem a presença de grupos criminosos organizados, como facções ou milícias, em seus bairros. Essa realidade reforça a urgência de ações efetivas na área da segurança pública.
Ano eleitoral
O lançamento do programa ocorre no último ano do atual mandato de Lula e a poucos meses das eleições de 2026. A segurança pública é uma das principais preocupações do eleitorado e promete ser um tema central na disputa presidencial.
Com essa iniciativa, o governo busca apresentar uma agenda própria para a segurança pública, enfrentando o discurso da oposição que tem explorado o aumento da violência e a atuação de facções criminosas como pontos críticos da gestão atual.
Quatro eixos
O programa Brasil Contra o Crime Organizado está estruturado em quatro eixos principais: asfixia financeira das organizações criminosas, fortalecimento da segurança no sistema prisional, qualificação das investigações e esclarecimento de homicídios, além do combate ao tráfico de armas.
O governo afirma que a proposta foi elaborada em diálogo com Estados, especialistas e forças de segurança, com o objetivo de desarticular as bases do crime organizado em todo o país.
Asfixia financeira
A principal estratégia do programa é enfraquecer o poder econômico das facções criminosas, com um investimento de R$ 302,2 milhões. Medidas para rastrear, bloquear e recuperar recursos utilizados por organizações criminosas estão entre as ações previstas.
O plano inclui o fortalecimento das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos), a criação de uma Ficco Nacional para operações interestaduais, e a realização de leilões centralizados de bens apreendidos.
A intenção é atingir empresas e estruturas que permitem a lavagem de dinheiro e a manutenção da influência das facções sobre determinados territórios.
Prisões mais vigiadas
O segundo eixo, denominado Sistema Prisional Seguro, contará com um investimento de R$ 324,1 milhões. O objetivo é reduzir o poder de comando das facções a partir dos presídios estaduais.
O pacote inclui medidas como o bloqueio de sinais de celular, melhorias na segurança de 138 unidades prisionais, e a criação do Centro Nacional de Inteligência Penal, além de operações para a retirada de celulares, armas e drogas.
Homicídios
O terceiro eixo foca na baixa taxa de esclarecimento de homicídios no Brasil, que atualmente é de apenas 36%. O governo destinará R$ 196,7 milhões para fortalecer as polícias científicas e melhorar a capacidade de investigação.
As ações buscam padronizar registros e integrar bases de dados, visando aumentar a eficiência nas investigações e melhorar os índices de esclarecimento de homicídios.
Tráfico de armas
O quarto eixo será dedicado ao combate ao tráfico de armas, com um investimento de R$ 145,2 milhões. As ações incluirão o rastreamento da origem de armamentos e a criação da Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Armas.
A meta é desarticular o fluxo de armamentos que abastece facções e milícias, promovendo uma maior cooperação entre os órgãos de segurança em níveis federal, estadual e municipal.
Medo da violência
O programa é lançado em um contexto de crescente preocupação da população com a segurança pública. Dados indicam que 57% dos brasileiros mudaram sua rotina por medo da violência, e 61,4
