Alckmin defende equacionamento de veto a carnes e destaca padrão sanitário brasileiro
União Europeia veta importações de carne e produtos de origem animal do Brasil
O veto da União Europeia às importações de carne e produtos de origem animal do Brasil foi anunciado recentemente, gerando preocupações no setor agropecuário brasileiro.
A decisão está relacionada às exigências sanitárias do bloco europeu, que considera insuficientes as garantias apresentadas pelo Brasil em relação ao uso de antimicrobianos na pecuária. A medida foi discutida durante o 4º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo, onde o vice-presidente Geraldo Alckmin comentou sobre as implicações do veto.
Alckmin mencionou que, embora o Brasil tenha enfrentado desafios tarifários com os Estados Unidos, as negociações estão avançando e importantes reuniões estão programadas para os próximos dias. Ele destacou os acordos do Mercosul com países como Singapura e a Associação Europeia de Livre Comércio, enfatizando a relevância do mercado global, avaliado em cerca de US$ 22 trilhões.
O vice-presidente também ressaltou que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, o maior entre blocos, foi bem estruturado com salvaguardas para ambas as partes. Ele acredita que as questões sanitárias, especialmente em relação à proteína animal e vegetal, podem ser resolvidas, dado o compromisso do Brasil com altos padrões de segurança alimentar.
A decisão da UE de barrar a carne bovina brasileira representa um novo ponto de tensão nas relações comerciais entre o bloco europeu e o agronegócio brasileiro. As autoridades europeias alegam que o Brasil não apresentou garantias adequadas sobre o controle de substâncias utilizadas na criação de animais, levando à exclusão do país da lista de nações que cumprem as normas sanitárias exigidas.
Essa lista é crucial, pois determina quais países podem continuar exportando carne e outros produtos de origem animal para a Europa a partir de 3 de setembro. Enquanto o Brasil foi excluído, outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, continuam autorizados a exportar.
Os antimicrobianos, que são usados para tratar e prevenir infecções em animais, também podem atuar como promotores de crescimento. O governo brasileiro, por sua vez, contestou a avaliação da UE, afirmando que já adota normas sanitárias reconhecidas internacionalmente e expressou surpresa com a decisão.
Em resposta ao veto, o governo brasileiro planeja agir diplomaticamente para tentar reverter a situação antes da implementação das restrições. A medida não afeta apenas a carne bovina, mas também produtos como carne de frango, ovos, mel e pescados, sendo a carne bovina a principal preocupação devido ao seu alto valor agregado nas exportações.
