Flávio Bolsonaro reconhece cobrança a Vorcaro, mas nega qualquer irregularidade
Flávio Bolsonaro confirma negociações com banqueiro para filme sobre seu pai
Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à presidência, reconheceu ter mantido contato por quase um ano com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Durante esse período, Flávio buscou apoio financeiro de R$ 134 milhões para a produção de um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, seu pai.
A revelação ocorreu em uma reportagem recente, onde Flávio confirmou a solicitação de recursos, enfatizando que se tratava de uma iniciativa privada. Ele destacou que não houve envolvimento de dinheiro público ou da Lei Rouanet na negociação.
Em sua declaração, o senador afirmou que a relação com Vorcaro começou em dezembro de 2024, após o término do governo Bolsonaro, e que não havia suspeitas sobre o banqueiro na época. Flávio argumentou que o contato foi retomado devido a atrasos nos pagamentos do patrocínio necessário para concluir o filme.
Flávio negou qualquer tipo de acordo que envolvesse vantagens indevidas, ressaltando que não ofereceu benefícios em troca do apoio financeiro e que não intermediou negócios com o governo. Ele fez um apelo pela criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as relações de Vorcaro com o governo anterior.
Após a nota, um vídeo foi divulgado nas redes sociais, onde Flávio reiterou os mesmos argumentos, mencionando que Vorcaro havia interrompido os pagamentos e que existia um contrato formal sobre os repasses acordados.
Áudio revelador
Na reportagem, um áudio do senador foi divulgado, onde ele discute a importância do filme e a urgência dos pagamentos. Flávio expressa sua preocupação com a situação financeira do projeto, mencionando que as parcelas atrasadas geravam tensão entre os envolvidos na produção.
Além do áudio, a investigação também trouxe à tona mensagens de WhatsApp e documentos que indicam que parte do valor foi transferida entre fevereiro e maio de 2025.
Desdobramentos legais
As últimas comunicações entre Flávio e Vorcaro ocorreram no início de novembro do ano passado, um período crítico para o Banco Master. Após essas interações, o Banco Central decretou a liquidação da instituição, e Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em uma operação relacionada a fraudes financeiras.
Atualmente, o banqueiro está detido na Superintendência da PF em Brasília e está em negociações para um possível acordo de delação premiada. O filme, que está sendo produzido por uma empresa no exterior, conta com uma equipe internacional e tem previsão de lançamento para este ano. O apoio financeiro envolveu transferências internacionais de uma empresa controlada por Vorcaro para um fundo nos Estados Unidos, gerido por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.