Parar de fumar pode revitalizar pulmões mesmo em idades avançadas

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A regeneração pulmonar após parar de fumar é possível, mas com limitações.

Fumar prejudica gravemente a saúde dos pulmões, afetando sua estrutura devido aos danos causados pelo tabaco e outras substâncias. No entanto, estudos mostram que ao abandonar o cigarro, os fumantes podem recuperar parte da função pulmonar, graças à capacidade regenerativa do órgão, impulsionada por células saudáveis que substituem as danificadas.

A compreensão desse fenômeno avançou com pesquisas que analisaram as células que revestem os brônquios de fumantes, ex-fumantes e não fumantes. Os cientistas descobriram que os pulmões dos fumantes apresentavam uma quantidade significativa de células mutadas, potencialmente cancerígenas. Contudo, após parar de fumar, um grupo de células não mutadas e geneticamente semelhantes às de não fumantes começa a se proliferar rapidamente.

Essas células saudáveis, que estavam “escondidas” da fumaça, começam a se multiplicar para substituir as danificadas, que são eliminadas para prevenir a transformação em câncer de pulmão. Estudos indicam que até 40% das células pulmonares em ex-fumantes são novas células de reposição. Esse processo de reparação é observado mesmo em indivíduos que fumaram intensamente por longos períodos, o que explica a redução significativa do risco de desenvolver câncer de pulmão após a cessação do tabagismo, embora esse risco nunca desapareça completamente.

A cronologia da regeneração pulmonar

A regeneração pulmonar envolve aspectos genéticos, mecânicos e funcionais, evidenciados pelos eventos que ocorrem após a interrupção do tabaco. Nas primeiras 24 horas, os níveis de monóxido de carbono no sangue começam a se normalizar, resultando em melhorias na capacidade respiratória e na pressão arterial.

Nas semanas seguintes, ocorre a recuperação do tecido pulmonar e a regeneração dos cílios, estruturas que ajudam a expulsar o muco acumulado, reduzindo drasticamente as infecções respiratórias. Após um ano, a capacidade pulmonar apresenta uma melhora significativa.

Entretanto, especialistas alertam que a regeneração pulmonar é parcial e não total. Isso implica que os pulmões não retornam ao estado original de um recém-nascido e que existem danos estruturais irreversíveis. Doenças como enfisema e fibrose pulmonar persistem, pois o tecido danificado em tais condições não pode ser regenerado. Embora parar de fumar desacelere a progressão de doenças como a DPOC, não reverte os danos obstrutivos já estabelecidos.

A capacidade regenerativa dos pulmões também diminui com a idade e com o tempo de tabagismo. Embora as células saudáveis dominem o epitélio após anos de abstinência, sempre existirão riscos residuais que não desaparecem.

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