Decisão da UE sobre carne brasileira gera impactos significativos

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União Europeia proíbe importações de carne e produtos de origem animal do Brasil

Os ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e Pecuária e do Desenvolvimento do Brasil estão mobilizados para reverter a recente decisão da União Europeia, que vetou as importações de carne e produtos de origem animal do país.

O embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, já anunciou que buscará esclarecimentos em uma reunião com autoridades europeias de saúde animal, programada para esta quarta-feira.

Qual o impacto para o Brasil?

A decisão da União Europeia terá efeito a partir de 3 de setembro, mas, por ora, não há proibições em vigor, permitindo que o Brasil continue suas exportações de carne e outros produtos para a região.

Embora a situação não implique uma queda imediata nos preços das carnes no Brasil, os exportadores têm a opção de redirecionar os produtos para outros mercados, já que a União Europeia não é o principal destino das exportações brasileiras.

Além da carne bovina, que é o principal produto exportado para a UE, a medida pode afetar as exportações de aves, ovos, mel, peixes, equinos e outros produtos de origem animal.

Qual a importância da UE?

A União Europeia foi o quarto maior destino da carne bovina brasileira em 2025, totalizando 128,9 mil toneladas, o que representa um valor de aproximadamente 1,06 bilhão de dólares. A China, por sua vez, é o principal mercado, absorvendo quase metade das exportações brasileiras.

No mesmo ano, a China respondeu por 48% do volume total exportado, com 1,68 milhão de toneladas, totalizando 8,90 bilhões de dólares. Os Estados Unidos vêm em seguida, com 271,8 mil toneladas e 1,64 bilhão de dólares.

Em relação à carne de frango, a União Europeia ocupou a oitava posição entre os compradores em 2025, com 233 mil toneladas, enquanto os Emirados Árabes Unidos lideraram as importações com 479,9 mil toneladas.

Para ovos, a UE foi o décimo maior destino, com 301 toneladas, representando apenas 1% da produção brasileira destinada ao exterior.

Qual a reclamação da UE?

A União Europeia não alegou contaminação da carne brasileira, mas expressou preocupações sobre a falta de garantias adequadas em relação ao uso de antimicrobianos na pecuária brasileira.

A questão envolve aspectos regulatórios, como rastreabilidade sanitária e documentação que comprove o uso responsável desses medicamentos ao longo da cadeia produtiva.

As autoridades europeias afirmam que o Brasil ainda não demonstrou de forma suficiente que a utilização de antimicrobianos foi eliminada em toda a produção destinada à exportação.

O que são os antimicrobianos de que a UE reclama?

Antimicrobianos são medicamentos utilizados para combater microrganismos, como bactérias e vírus. Na pecuária, podem ser utilizados tanto para tratar doenças quanto para promover o crescimento dos animais.

A União Europeia proíbe o uso de antimicrobianos que também são essenciais para tratamentos médicos em humanos, visando evitar a resistência antimicrobiana, que ocorre quando bactérias se tornam resistentes a medicamentos.

Entre os antimicrobianos restritos estão substâncias como virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina.

Dá para reverter?

Sim, para que o Brasil volte a ser autorizado a exportar para a União Europeia, é necessário garantir o cumprimento das normas sobre o uso de antimicrobianos em toda a cadeia produtiva dos animais.

Uma porta-voz da Comissão Europeia afirmou que, assim que o Brasil demonstrar conformidade, as exportações poderão ser retomadas. A Comissão tem colaborado com as autoridades brasileiras para resolver essa questão.

O Brasil pode optar por aumentar as restrições legais sobre os medicamentos ou implementar mecanismos mais rigorosos de rastreabilidade para comprovar que os produtos exportados não contêm essas substâncias.

A segunda alternativa é considerada mais complexa, pois requer um monitoramento detalhado da cadeia produtiva e custos adicionais para os produtores e frigoríficos.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) declarou que o

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