Brasil lidera em comércio agêntico, afirma professor de Harvard no AI Festival

Compartilhe essa Informação

Brasil se destaca na corrida pela inteligência artificial no comércio, segundo especialista.

Nesta quinta-feira (14), Paul Accornero subiu ao palco do AI Festival, evento promovido pela StartSe, e surpreendeu a plateia ao afirmar que o Brasil não está atrasado na corrida pela inteligência artificial aplicada ao comércio, mas sim adiantado.

Accornero, arquiteto de comércio agêntico e professor convidado da Universidade de Harvard, destacou em entrevista que, após reuniões com grandes varejistas brasileiros, percebeu que o país está à frente de várias nações em termos de inovação no comércio agêntico.

Essa conclusão não é fruto de otimismo, mas sim de uma análise cuidadosa das estruturas existentes no Brasil. O especialista aponta razões concretas que sustentam essa afirmação.

O Pix como pré-condição do comércio agêntico

O comércio agêntico é um modelo onde agentes de inteligência artificial realizam compras em nome dos consumidores, desde o primeiro contato até o pagamento, sem intervenção humana. Para que esse sistema funcione em larga escala, é essencial que a infraestrutura de pagamentos seja digital, instantânea e aberta à integração.

O Brasil, por decisão estratégica do Banco Central, alcançou essa infraestrutura antes de economias muito maiores.

Accornero afirma que o sistema Pix e os meios de pagamento já estabelecidos no país suportarão naturalmente o comércio agêntico. Ele ressalta que o Brasil possui sistemas de pagamento que são líderes globais.

Enquanto nos Estados Unidos e na Europa a fragmentação dos sistemas bancários retarda essa transição, o Brasil já resolveu a questão dos pagamentos. Agora, o desafio é outro.

A empresa que não tem gêmeo digital não será encontrada

Accornero afirma que todas as empresas que oferecem produtos ou serviços precisarão desenvolver representações digitais estruturadas, conhecidas como gêmeos digitais.

Um agente de inteligência artificial que compra em nome de um consumidor não interpreta imagens da mesma forma que um humano; ele analisa dados estruturados. Se um produto não estiver adequadamente codificado, ele não será reconhecido pelo agente.

É crucial que as empresas garantam que seus gêmeos digitais estejam codificados corretamente e que as informações sejam consistentes em todos os canais. Inconsistências podem prejudicar a recomendação de produtos e impactar negativamente a decisão de compra.

Dados consistentes e estruturados aumentam a visibilidade nos rankings das seleções feitas pelos agentes. Accornero compara essa nova disciplina com a otimização para mecanismos de busca (SEO), ressaltando que a falta de domínio pode resultar na exclusão das vitrines do comércio futuro.

As empresas que não adotarem práticas adequadas correm o risco de serem excluídas das recomendações. Por outro lado, a inclusão traz a questão da confiabilidade da marca, que deve ser considerada pelo consumidor.

Confiança, publicidade e a lição do Google

Accornero reconhece que o setor ainda não possui respostas definitivas sobre como os consumidores podem distinguir entre recomendações genuínas de agentes de inteligência artificial e aquelas pagas.

Ele recorda que, quando o Google começou, organizava informações do mundo, mas ao começar a receber publicidade, surgiram dúvidas sobre a natureza dos resultados apresentados. O Google resolveu isso rapidamente, separando anúncios de resultados orgânicos.

No caso dos agentes de inteligência artificial, a situação é diferente, pois recomendações em linguagem natural não possuem avisos visuais que indiquem patrocínio.

Accornero menciona a empresa Perplexity, que decidiu abrir mão da receita publicitária para preservar a confiança dos usuários, evitando que houvesse dúvidas sobre a genuinidade das recomendações.

A solução para essa questão envolve estruturas de governança que as empresas ainda estão aprendendo a desenvolver, e o papel dos jornalistas é fundamental para estruturar esse debate.

O cargo que a maioria das empresas não tem

Accornero aponta que muitas grandes empresas ainda delegam a estratégia de inteligência artificial ao diretor de tecnologia da informação, o que pode

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *