Previdência completa 103 anos de solidariedade e justiça social
Previdência Social brasileira completa 103 anos, refletindo solidariedade e justiça social.
A Previdência Social brasileira completou, em 24 de janeiro de 2026, 103 anos de existência, consolidando-se como um pilar fundamental da sociedade. Sua longevidade é sustentada por valores de solidariedade e justiça social, que têm sido essenciais para resistir a pressões de privatização e desmantelamento de políticas públicas ao redor do mundo.
Ao longo de mais de um século, a Previdência se transformou em um patrimônio nacional, atendendo mais de 40 milhões de beneficiários do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), número que equivale à população de países como Chile e Uruguai.
Dados do IBGE indicam que, para cada beneficiário, há em média 2,5 pessoas que se beneficiam indiretamente dos serviços previdenciários. Em 2025, a Previdência Social impactou direta e indiretamente cerca de 140 milhões de pessoas, representando aproximadamente dois terços da população brasileira. Em 2022, 27,3% da população vivia abaixo da linha de pobreza, totalizando 59,3 milhões de pessoas, considerando a linha de pobreza estabelecida em R$ 606,00.
Sem os benefícios previdenciários e assistenciais, esse índice de pobreza teria alcançado 42,0%, evidenciando que esses programas foram responsáveis por uma redução de 14,3% na pobreza, o que significa que 30,5 milhões de brasileiros deixaram de viver em condições precárias.
Uma análise abrangente, que envolveu a colaboração de auditores da Receita Federal, revelou que em 4.103 dos 5.570 municípios brasileiros, ou seja, 73,7%, o volume de pagamentos de benefícios previdenciários excede o Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Surpreendentemente, essa realidade não se limita à Região Nordeste, como muitos poderiam supor. Na Região Sudeste, os dados também são expressivos: no Rio de Janeiro, todos os 92 municípios apresentam pagamentos previdenciários superiores ao FPM; no Espírito Santo, essa situação se repete em todos os 78 municípios; em São Paulo, 83,2% dos municípios (556 de 645) e em Minas Gerais, 68,6% (585 de 853) estão na mesma condição.
Na Região Sul, Santa Catarina lidera com 89,1% dos municípios (263 de 295) superando o FPM em pagamentos. O Rio Grande do Sul apresenta 84,3% (419 de 497) e o Paraná, 79,9% (319 de 399). Na Região Nordeste, o Ceará se destaca, com 94,6% dos seus municípios (174 de 184) apresentando pagamentos superiores ao FPM, seguido pela Bahia (87,8%) e Pernambuco (85,9%).
Esses dados são representativos de uma realidade que não pode ser ignorada: a Previdência Social desempenha um papel crucial na redução das desigualdades sociais e regionais, influenciando de maneira significativa a economia de milhares de municípios brasileiros.
Considerado o maior programa de redistribuição de renda do país, a Previdência Social corrige injustiças, garante cidadania, impulsiona economias locais e evita o êxodo rural. Ela é, sem dúvida, a âncora social do Brasil, e sua ausência poderia levar a uma grave crise social.
Em tempos de incerteza econômica global, a Previdência Social se torna um alicerce que proporciona maior estabilidade à vida dos brasileiros. Neste aniversário, é um chamado à sociedade para reforçar os valores de solidariedade e justiça social, que sustentam a dignidade humana e a democracia.
É fundamental que todos nos unamos para realizar o sonho de uma sociedade livre, justa e solidária, resistindo às ameaças dos que buscam desmantelar esses valores em nome de interesses financeiros. Como dizia Martin Luther King, o verdadeiro temor não reside nas ações das pessoas más, mas na indiferença das pessoas boas.
