Eduardo fecha contrato com diretor de filme sobre Bolsonaro, segundo site
Eduardo Bolsonaro assume papel de produtor-executivo em filme sobre Jair Bolsonaro
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi revelado como produtor-executivo de um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Documentos obtidos indicam que ele assinou um contrato com poderes sobre a gestão financeira do projeto, contradizendo suas declarações anteriores.
Em um vídeo nas redes sociais, Eduardo reconheceu que firmou um contrato com a produtora para contratar o diretor do filme e admitiu ter recebido a função de diretoria executiva, embora tenha afirmado que os planos mudaram posteriormente.
O contrato, assinado digitalmente em janeiro de 2024, designa Eduardo e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como produtores-executivos, em parceria com a produtora GoUp Entertainment, dos Estados Unidos. Essa posição confere a eles autoridade sobre o controle orçamentário e a gestão financeira do projeto audiovisual.
Os produtores-executivos são responsáveis por decisões estratégicas de financiamento, elaboração de documentação para investidores e identificação de fontes de recursos para o filme, inicialmente intitulado “O Capitão do Povo”.
Além disso, há uma minuta de aditivo contratual, datada de fevereiro de 2024, que menciona Eduardo como “financiador” da produção, embora não haja confirmação de que esse aditivo tenha sido assinado.
No vídeo, Eduardo criticou o veículo que divulgou a informação, alegando que se trata de um “vazamento seletivo” para prejudicar a reputação de seu irmão, Flávio Bolsonaro.
Ele explicou que assinou o contrato para garantir a execução do filme e que enviou US$ 50 mil para os EUA como garantia para que o diretor Cyrus Nowrasteh continuasse no projeto, recebendo, assim, o título de produtor-executivo.
Eduardo afirmou que, com a entrada de grandes investidores no projeto antes do término do contrato, ele não precisou mais exercer essa função, recebendo de volta os US$ 50 mil que havia enviado.
Ele destacou que, após a reestruturação do projeto, sua posição mudou, e passou a ser apenas alguém que cedeu seus direitos autorais.
O ex-deputado negou ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro ou do fundo criado nos Estados Unidos, afirmando que o valor recebido foi o que permitiu a realização do filme. Procurado, não se manifestou sobre as alegações.
Em uma entrevista recente, Flávio Bolsonaro defendeu que o contrato apresentado é antigo e que Eduardo publicaria um vídeo para esclarecer a situação, reiterando que seu irmão nunca gerenciou os recursos do filme.
O Intercept também revelou que Flávio Bolsonaro negociou com o banqueiro Daniel Vorcaro um repasse de R$ 134 milhões para financiar a produção, com R$ 61 milhões já pagos. Um áudio mostra Flávio solicitando mais recursos ao banqueiro, o que ele confirmou, mas negou qualquer troca de vantagens.
Mensagens indicam que Eduardo orientou um intermediário sobre como transferir recursos aos Estados Unidos, sugerindo que o ideal seria que os valores já estivessem no país.
As mensagens também revelam que parte dos valores negociados foi transferida para um fundo controlado por aliados de Eduardo, levantando suspeitas sobre o uso desse dinheiro para cobrir despesas pessoais do ex-deputado nos EUA.
A Polícia Federal investiga se os recursos destinados ao filme foram utilizados para custear despesas de Eduardo, que se mudou para os Estados Unidos em 2025, alegando perseguição política.
Eduardo negou qualquer irregularidade, afirmando que sua situação migratória não permitiria tais operações. Mario Frias, por sua vez, afirmou que Eduardo nunca foi produtor-executivo do filme.
O orçamento total da produção está estimado entre US$ 23 milhões e US$ 26 milhões, valor que coincide com o montante que Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro.
