Dependência de Portugal em Relação a Trabalhadores Estrangeiros Aumenta
Portugal enfrenta crescente xenofobia em meio à dependência de imigrantes para sua economia.
Cartazes do partido de extrema-direita Chega têm proliferado pelo país, afirmando que “os imigrantes não podem viver de subsídios”. Essa mensagem reflete um clima de hostilidade crescente em relação aos estrangeiros, mesmo com a realidade de que Portugal depende significativamente da mão de obra migrante.
Atualmente, cerca de 1,5 milhão de estrangeiros residem em Portugal, representando aproximadamente 14% da população. Apesar do aumento do apoio a medidas de imigração mais rigorosas, a economia portuguesa não poderia operar adequadamente sem esses trabalhadores, que, de acordo com dados recentes, não recebem mais benefícios sociais do que os cidadãos portugueses.
Os imigrantes ocupam posições essenciais em diversos setores, desde a hospitalidade até a agricultura, onde desempenham papéis fundamentais, como a colheita de frutas destinadas à exportação. A falta de mão de obra local em áreas como turismo e agricultura ressalta a importância dos trabalhadores estrangeiros.
Um estudo recente demonstrou que, no último ano, cerca de 1,1 milhão de imigrantes contribuíram para a Previdência Social em Portugal, mostrando um aumento de 447% em relação a dez anos atrás. Essas contribuições financeiras são cruciais para a sustentabilidade do sistema social, que enfrenta desafios devido ao envelhecimento da população.
Estrangeiros mantêm o país funcionando
O sociólogo Elísio Estanque destaca que a contribuição dos trabalhadores estrangeiros é vital para o funcionamento do sistema previdenciário. Com uma população envelhecida, Portugal necessita dessas contribuições para cobrir aposentadorias e despesas com saúde.
Os brasileiros, que constituem o maior grupo de imigrantes no país, estão predominantemente empregados em setores comerciais e de serviços, desempenhando funções como motoristas de aplicativos e entregadores. A experiência de Verônica Santos, uma brasileira que chegou a Portugal recentemente, exemplifica a rápida integração dos imigrantes ao mercado de trabalho.
Verônica e seu marido encontraram empregos rapidamente e destacam a segurança que Portugal oferece em comparação ao Brasil, onde a violência é uma preocupação constante. Apesar do aumento do preconceito, Verônica adota uma postura diplomática, reconhecendo que a intolerância existe em todos os lugares.
Imigrantes como bode expiatório
Partidos como o Chega têm utilizado os imigrantes como bodes expiatórios, culpando-os por problemas de segurança. O professor João Neves ressalta que a verdade é que a economia portuguesa se beneficiaria enormemente da presença desses trabalhadores, que são essenciais para a sobrevivência de muitos setores.
A indústria do turismo, que representa 20% do PIB português, depende fortemente de mão de obra estrangeira. Sem essa força de trabalho, muitos estabelecimentos teriam que fechar suas portas, resultando em um colapso econômico em várias áreas.
Além disso, a Previdência Social se beneficiou de um superávit significativo gerado pelas contribuições de imigrantes, que ajudaram a financiar benefícios para cidadãos mais velhos. Esse cenário evidencia a interdependência entre a economia portuguesa e os trabalhadores estrangeiros.
Falta política de imigração de longo prazo
Apesar das contribuições positivas dos imigrantes, o ressentimento e a xenofobia têm aumentado. A falta de uma política de imigração eficaz tem gerado tensões sociais, conforme observa Estanque, que critica as abordagens desumanas propostas pela extrema-direita.
Limitar a permanência de imigrantes a períodos curtos só aumentaria a exploração, tornando esses trabalhadores ainda mais vulneráveis. A necessidade de uma política de imigração sustentável e de longo prazo é urgente, segundo Neves, que lembra que Portugal também já foi um país de emigração.
Embora existam regras em vigor, como a impossibilidade de reembolso de contribuições previdenciárias por parte de imigrantes que retornam a seus países, é evidente que Portugal precisa aprender com sua própria história para construir um futuro mais inclusivo e sustentável.
