Café agroecológico se destaca no Espírito Santo com produção sustentável e grãos mais saborosos

Compartilhe essa Informação

Cultivo de café agroecológico promove sustentabilidade e qualidade superior dos grãos

O cultivo de café em meio a árvores nativas da Mata Atlântica, utilizando práticas de manejo orgânico, tem se mostrado uma alternativa viável e sustentável no Espírito Santo. Este modelo agroecológico não só proporciona conforto térmico às plantas, mas também resulta em grãos de café com sabor superior e maior valor de mercado.

O sistema agroflorestal, onde o café cresce sob a sombra de outras espécies vegetais, influencia diretamente a qualidade do grão. Os produtores estão adotando essa abordagem, que prioriza a sustentabilidade e a preservação ambiental, enquanto atende à demanda por produtos de alta qualidade.

Dieimes Bohry, um dos produtores que implementaram esse modelo em sua propriedade em Vila Valério, destaca os benefícios dessa prática. Segundo ele, o café amadurece mais lentamente devido à sombra, resultando em maior acúmulo de açúcares nos grãos, o que contribui para um sabor mais rico.

“O café demora um pouco mais a amadurecer porque a planta está na sombra. Isso traz um conforto térmico melhor e, com mais tempo no pé, há maior acúmulo de açúcar no grão”, explicou.

O cultivo segue um calendário que divide as atividades em duas etapas. De dezembro a abril, as copas das árvores oferecem proteção contra o sol intenso e as chuvas fortes. A colheita ocorre entre maio e agosto, quando as árvores são podadas.

Além da sombra, a adubação orgânica é uma prática essencial nesse sistema. Bohry utiliza esterco de animais e a própria poda das árvores para enriquecer o solo, garantindo que o café receba os nutrientes necessários para seu desenvolvimento.

Após a colheita, o café passa por rigorosos processos de seleção e limpeza. Os grãos são lavados para remover impurezas e separados, sendo os que boiam considerados de menor qualidade. Em seguida, são secos em terreiros suspensos e passam por novas triagens antes do descascamento e torra.

Todo o processo é acompanhado por técnicos especializados, que realizam análises laboratoriais para avaliar as características físicas, sabor e aroma do café. Os resultados têm sido promissores, com cafés de qualidade excepcional que se destacam no mercado.

O café conilon produzido em sistema agroflorestal pode alcançar preços até quatro vezes superiores aos do cultivo convencional, o que tem incentivado muitos produtores a adotar esse modelo. A agricultora Luciene Pessin ressalta que a qualidade do café especial justifica o investimento, pois os consumidores estão dispostos a pagar mais por um produto diferenciado.

Além dos benefícios financeiros, o sistema agroecológico contribui para a preservação ambiental. Bohry enfatiza que a agrofloresta busca não agredir o meio ambiente, preservando árvores nativas e gerando produtos de alto valor agregado.

O Espírito Santo, maior produtor de café conilon do Brasil, responde por cerca de 70% da produção nacional. A cultura representa 38% do PIB agrícola do estado, com aproximadamente 286 mil hectares plantados em 49 mil propriedades rurais. A colheita de 2026 está prevista para iniciar em agosto, prometendo mais uma safra significativa para a região.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *