Drones e inteligência artificial otimizam identificação de ponto ideal de abate em confinamentos
Drones e inteligência artificial revolucionam o monitoramento de bovinos em confinamento.
Pesquisadores da Embrapa Agricultura Digital desenvolveram um inovador sistema que utiliza drones e inteligência artificial para monitorar o crescimento de bovinos em confinamento, facilitando a decisão sobre o momento adequado para a venda ou abate dos animais.
O estudo foi realizado como parte do projeto Semear Digital, um dos Centros de Ciência para o Desenvolvimento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), localizado em Campinas (SP).
De acordo com um dos pesquisadores, a proposta visa minimizar a necessidade do manejo intensivo com a pesagem convencional dos animais, que pode causar estresse e impactar negativamente o bem-estar e a produtividade dos bovinos.
As limitações do sistema tradicional de pesagem incluem danos frequentes às balanças, além do estresse causado aos animais durante o processo de pesagem.
O sistema foi testado em uma propriedade de Mato Grosso do Sul, onde, durante 112 dias, pesquisadores realizaram voos com drones a uma altura de cerca de 15 metros para capturar imagens do lote de bovinos.
Com as imagens obtidas, equipes das instituições envolvidas desenvolveram modelos de inteligência artificial capazes de identificar os animais e extrair medidas corporais relevantes, como comprimento e largura.
Os voos foram realizados periodicamente desde a entrada do gado no confinamento até a fase final, com o objetivo de modelar a relação entre as medidas corporais e o ganho de peso, considerando variações não lineares ao longo do ciclo produtivo.
Os pesquisadores conseguiram identificar um padrão de crescimento dos bovinos. Inicialmente, os animais apresentam um ganho de peso lento na fase de adaptação, seguido de um período de ganho acelerado, e, posteriormente, uma desaceleração ao final do confinamento.
O estudo identificou o chamado “ponto de inflexão”, que é o momento de maior taxa de ganho de peso do animal. Após esse estágio, a eficiência na conversão alimentar começa a diminuir, o que pode impactar os custos no confinamento.
Identificar esse ponto é crucial, já que uma diferença de apenas um dia no manejo pode ter um efeito significativo nos custos, especialmente em relação à alimentação, além de influenciar diretamente a eficiência produtiva e a rentabilidade do sistema de confinamento.
A base de dados gerada também está sendo utilizada em pesquisas sobre comportamento animal, permitindo identificar padrões alimentares e detectar situações como acasalamento e sinais de estresse nos bovinos.
Os pesquisadores estão trabalhando na adaptação da tecnologia para outras raças de gado, como angus e brahman, com o intuito de validar a aplicação do modelo em confinamentos.
O uso dessa tecnologia não apenas promete reduzir os custos de produção, mas também pode contribuir para a diminuição do preço da carne ao possibilitar a identificação do momento ideal de abate.
Atualmente, o projeto ainda está em fase de desenvolvimento, e os pesquisadores estão em busca de parcerias para transformar essas inovações em produtos comerciais viáveis.
