Presidente da Cirion destaca a importância da integração cultural para o sucesso das aquisições
Integração cultural é fundamental para o sucesso em aquisições empresariais, afirma presidente da Cirion.
O sucesso de uma aquisição não depende apenas de sistemas unificados ou da natureza dos negócios, mas, principalmente, da integração das culturas das empresas envolvidas. Essa foi a mensagem central de Augusto Salomão, presidente da Cirion, durante sua participação no IT Forum Na Mata CEO.
Salomão destacou que, geralmente, as empresas adquiridas operam em setores adjacentes, mas a verdadeira integração cultural deve ocorrer após a compra, em um período de incertezas. Ele enfatizou que a falta de integração cultural pode comprometer a sobrevivência conjunta dos negócios. “Quando não se consegue integrá-la, é muito difícil os dois negócios sobreviverem”, afirmou.
Durante a conversa, mediada pela editora-assistente do IT Forum, Salomão compartilhou suas experiências em aquisições. Embora não tenha vivenciado uma aquisição malsucedida, ele reconheceu que algumas transações foram mais desafiadoras, como a compra de uma empresa no sul do País, onde conflitos culturais dificultaram a integração. “Foi um desafio adicional conquistar a confiança das pessoas”, relatou.
O tempo também foi apontado como um fator crucial para a conclusão bem-sucedida de aquisições. Salomão ressaltou a importância de acelerar o processo de transição, citando uma experiência negativa em que uma aquisição se arrastou por mais de um ano, resultando na perda de clientes e na competição interna entre as empresas. “Mais vale um fim horroroso do que um horror sem fim”, disse, destacando que a rapidez no processo é essencial.
Contrariando a ideia de que 90 dias são suficientes para a transição, Salomão acredita que a primeira semana após o anúncio é crítica para o sucesso. Ele sugeriu duas ações principais, ambas focadas nas pessoas. A primeira é identificar rapidamente os talentos na nova organização e desenvolver um plano para retê-los.
“É importante identificar rapidamente, porque os talentos-chave vão embora rapidinho. Normalmente, não compramos apenas o ativo, mas a capacidade de produção e a eficiência gerada pelas pessoas”, explicou. O presidente também sugeriu que a criação de novos cargos e a possibilidade de crescimento são fundamentais para motivar os colaboradores da empresa adquirida.
A segunda ação envolve a relação com os clientes. Salomão alertou que um dos maiores riscos durante uma aquisição é a perda de clientes devido à desconfiança. Para mitigar esse risco, ele recomenda visitar os clientes logo na primeira semana para assegurar que continuarão recebendo o serviço. “Se você não for rápido nesse processo, 10% dos clientes se perdem”, afirmou.
Por fim, Salomão lembrou que todo processo de aquisição traz ansiedade e surpresas. Mesmo com planejamento e pesquisa, sempre surgirão imprevistos que só a experiência pode revelar. O foco deve estar no cliente, pois, segundo ele, “nós compramos a empresa pelo mapa, mas assumir é como ir ver o terreno”. Ele finalizou ressaltando a importância de manter o foco no cliente durante todo o processo.
