Parede de concreto se transforma na maior fonte radioativa da Ucrânia após erro de construção que afetou duas famílias inteiras

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Fragmento radioativo em apartamento causa mortes misteriosas na Ucrânia.

Por quase uma década, um pequeno fragmento radioativo oculto em um apartamento na Kramatorsk, Ucrânia, resultou em uma série de mortes inexplicáveis. A radiação afetou silenciosamente tanto crianças quanto adultos, sem qualquer sinal externo de perigo, como cheiro ou visualização.

O incidente teve início com a presença de uma cápsula de Césio-137, que ficou perdida dentro do concreto de um edifício residencial. Este evento é conhecido como o “acidente radioativo de Kramatorsk” e é considerado um dos casos mais peculiares de contaminação doméstica já registrados.

Material radioativo estava escondido dentro da parede

Pesquisas realizadas por instituições científicas ucranianas revelaram que a cápsula contendo Césio-137 foi acidentalmente misturada ao concreto utilizado na construção do prédio durante os anos 1970.

É provável que o material tenha se desprendido de um equipamento industrial, usado para medições radiográficas, e passado despercebido durante a confecção do cimento.

Na época, dispositivos com materiais radioativos eram comuns em diversas indústrias da União Soviética, especialmente em fábricas e sistemas de monitoramento técnico.

Mortes começaram a intrigar médicos

Com o passar dos anos, moradores expostos à radiação começaram a apresentar leucemia e outras doenças graves associadas à intensa exposição radioativa.

Um jovem de 18 anos faleceu em 1981, seguido pela mãe e um irmão de 16 anos, que também sucumbiram a complicações um ano depois. Novos moradores ocuparam o imóvel, mas em 1987, um adolescente morreu e outra criança desenvolveu problemas de saúde severos.

Os médicos começaram a notar a sequência incomum de casos de leucemia concentrados em um único endereço, mas a origem do problema permaneceu desconhecida por muitos anos.

Radiação foi descoberta quase uma década depois

A descoberta do material radioativo ocorreu em 1989, quando moradores solicitaram medições no local devido ao histórico de mortes. Técnicos que analisaram o apartamento encontraram níveis extremamente altos de radiação em uma das paredes.

Parte da estrutura foi demolida para investigação, e o fragmento radioativo foi finalmente localizado e removido por especialistas do Instituto de Pesquisa Nuclear da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia.

Apesar de seu tamanho diminuto, o cilindro emitia radiação suficiente para causar exposição contínua em pessoas que dormiam próximas à parede ao longo dos anos.

O que é o césio-137?

O Césio-137 é um isótopo que emite radiação gama, capaz de atravessar materiais e tecidos humanos com facilidade, tornando-se extremamente perigoso em casos de exposição prolongada.

Historicamente, esse material foi utilizado em equipamentos industriais e em aparelhos médicos, como máquinas de raio-x. A intensidade e a duração da exposição à radiação podem aumentar significativamente o risco de câncer, danos celulares e doenças hematológicas, como leucemia.

Outro acidente com césio-137 marcou o Brasil em 1987

Em 1987, um incidente similar ocorreu em Goiânia, Brasil, quando um aparelho de radioterapia abandonado foi desmontado por catadores. Dentro do equipamento estava uma cápsula de césio-137 altamente radioativo.

Sem conhecimento do perigo, várias pessoas tiveram contato direto com o material, que emitia um brilho azulado. A contaminação se espalhou rapidamente entre familiares, vizinhos e objetos da área.

O acidente resultou em centenas de pessoas contaminadas e causou mortes por exposição aguda à radiação, além de consequências psicológicas e sociais que ainda perduram.

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